Avanços e desafios: o olhar do Prêmio Educador Nota 10 – 2019

Há 22 anos acompanhando a situação da Educação Básica brasileira pela ótica do professor

Foto de um cartão pendurado em uma árvore cenográfica, escrito "Reconhecimento".

Nós acreditamos na educação como fruto de envolvimento, compromisso e responsabilidade de todos. A sociedade brasileira tem reconhecido cada vez mais o seu poder de mudar o presente e o futuro, de impulsionar prosperidade e desenvolvimento e de preservar a democracia. Educação é, ao mesmo tempo, atitude e esperança, dedicação e promessa, inovação e continuidade. O país precisa avançar na implantação de políticas públicas que resultem em qualidade educacional para todas e todos.

Temos muitos desafios rumo a uma educação de qualidade para os mais de 48 milhões de estudantes de todo o Brasil. Sabemos que ações isoladas não darão conta de resolver estes problemas na velocidade necessária. É por isso que esse prêmio é feito a muitas mãos com a união de esforços da Abril, Globo, Fundação Victor Civita e Fundação Roberto Marinho para a sua realização. Conta também com o apoio de Nova Escola, Instituto Rodrigo Mendes, Unicef, BDO, o patrocínio da Fundação Lemann e Somos Educação e o apoio institucional de Consed, Instituto Natura, Todos pela Educação e Undime. O Prêmio Educador Nota 10 é, desde 2018, associado ao Global Teacher Prize. Juntos para valorizar essa profissão que é fundamental para o desenvolvimento do país.

Com mais de duas décadas de existência, o Prêmio Educador Nota 10 acompanhou e segue observando mudanças em práticas pedagógicas, investimento em formação continuada, avanços em condições de infraestrutura e ampliação do tempo de permanência dos alunos na escola. A universalização do acesso foi uma conquista nos últimos anos, embora ainda existam questões a serem enfrentadas, como o desafio da qualidade e o combate às desigualdades educacionais e sociais. Estamos na metade da vigência do Plano Nacional de Educação (2014-2024) e até agora nenhuma das 20 metas traçadas por esta lei, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, foi cumprida. E os educadores seguem trabalhando nas escolas de todo o Brasil.

Nós reconhecemos o trabalho realizado por estes professores, a exemplo de tantos outros que existem no país, como profissionais dedicados que refletem sobre sua realidade e suas práticas pedagógicas. São essas experiências que devem ser compartilhadas e valorizadas para que inspirem outras boas práticas em todo o país. As 4876 inscrições recebidas na edição de 2019 dizem muito sobre o ofício docente, sobre práticas educacionais e os alunos. Também revelam investimentos em estudo, pois 58% desses professores são pós-graduados, 524 têm mestrado e 101, doutorado. Há uma diversidade incrível de contextos e cenários, com representantes de capitais e de cidades bem pequenas, ambientes com suporte para educar e outros com pouquíssimos recursos. O que têm em comum? São professores e gestores que acreditam em seu poder de transformar infâncias e juventudes, de alimentar sonhos, de descobrir talentos e formar cidadãos éticos e profissionais capacitados.

Os projetos enviados por eles são lidos, avaliados e pré-selecionados, depois se inicia uma etapa de entrevistas e solicitação e análise de materiais que comprovam a realização do trabalho e o impacto positivo nas aprendizagens. Os selecionadores analisam, escrevem relatórios e defendem as práticas de excelência para toda a equipe, que vota nas melhores para gerar a lista de 50 finalistas e definir os 10 vencedores. É um processo rigoroso que dura meses e se apoia em cinco critérios norteadores: equidade e inclusão como valores; inspiração para a aplicabilidade em outros contextos; evidências de aprendizagem; didática específica da área e correlação clara entre as aprendizagens propostas e as orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Cada relato que passa pelo crivo dos selecionadores contribui para entender desafios, avanços e dificuldades que afetam esses educadores. Temos consciência de que eles são apenas um recorte da realidade brasileira, pois mais de 87% dos inscritos em 2019 atuam em escolas públicas e quase 60% deles vêm do Sul e do Sudeste do país. Mesmo assim, as observações da nossa Academia de Selecionadores atualizam o debate educacional.

Percebemos avanços:

  • no investimento em programas de formação continuada ou específica em redes de colaboração que estimulam as trocas de saberes;
  • na ampliação do tempo escolar em escolas públicas e particulares, permitindo que os alunos experimentem atividades diversas, entre elas físicas e culturais;
  • no reconhecimento das diversidades em todas as suas formas: ritmos de aprendizagem, nível socioeconômico, orientação sexual e regionalidades;
  • na busca de metodologias de ensino que promovam o protagonismo dos alunos no seu processo de aprendizagem;
  • no uso da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como referência para a construção de currículos e planejamento de práticas;
  • na postura dos professores, que se assumem como pesquisadores e criadores de conhecimento cultural e educacional.

E constatamos desafios como:

  • inclusão de todos os alunos – com e sem deficiência – no processo de ensino e aprendizagem;
  • existência de escolas com desempenho inferior às metas estabelecidas pelas avaliações nacionais, como Prova Brasil e Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb);
  • evasão e abandono por conta da distância ou dificuldade de deslocamento entre casa e escola ou da desmotivação dos alunos;
  • precariedade de infraestrutura e recursos tecnológicos;
  • falta de continuidade das políticas educacionais;
  • pouco uso de metodologias ativas e ambientes colaborativos de aprendizagem;
  • ausência de garantia de reuniões pedagógicas e horas de trabalho compartilhado entre docentes e gestores.

Além desses, há muitos aspectos que impedem o progresso das relações de ensino-aprendizagem. Defendemos que é necessário repensar a escola em seus tempos e espaços, para reorganizá-la, buscando a integração entre as áreas e levando em consideração os contextos e as trajetórias de vida dos alunos.

Dedicamos esse prêmio a todos os professores e gestores, por sua coragem de expor suas práticas, seus desafios cotidianos, suas inseguranças e angústias. São profissionais que se reinventam a cada dia, que aprendem com situações e problemas trazidos pelos alunos. Que não se rendem, se envolvem, investem muito mais do que tempo e têm menos recompensas do que deveriam. Queremos seguir enquanto processo seletivo que estimula, apoia e, escuta e faz dos vencedores inspiração para todos os educadores do nosso país. Sabemos que tornar atrativa a carreira docente, com salários justos e suporte adequado ao trabalho são medidas urgentes. Precisamos efetivar a valorização de professores e gestores escolares em todas as esferas. E trabalhar por melhores condições para garantir a todos uma educação de qualidade, essencial para alcançar uma sociedade mais justa e desenvolvida. Como Prêmio Educador Nota 10, erguemos essa bandeira e convidamos você. Vamos juntos!