40 Finalistas de 2019

Os projetos escolhidos abrangem da Educação Infantil ao Ensino Médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA), e foram realizados em escolas públicas e privadas de 15 estados.

Adircilene Lerilda Batista e Silva

História – 1º ao 5º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental
Congo Mirim – Muito além da Fé
EM Monteiro Lobato
Lagoa da Prata, MG

Adircilene escolheu um tema que abarca a presença africana no Brasil no contexto da escravidão. Seu projeto valoriza patrimônios materiais e imateriais da festa do Congado, parte da história da vida cultural de Lagoa da Prata, em Minas Gerais. Essa manifestação decorre do contato entre culturas: afro-brasileira e portuguesa. A professora teve o compromisso de integrar a escola à história da localidade, com estudos sobre as tradições da festa e organização dos alunos para integrarem um “terno mirim”. Também foi trabalhada a relação com os povos africanos, o embate entre as Cortes de Moçambique e do Congo e a localização desses países hoje em dia. A professora diversificou procedimentos de estudos, levando as turmas a pesquisarem de diferentes modos: visualizando vídeos, fazendo entrevistas com congadeiros e observações em saídas de campo. Os alunos visitaram as igrejas referentes aos santos do Congado, montaram maquetes e participaram da festa com seus estandartes.

Ana Amália Castro Dourado Santos

Língua Portuguesa – 5º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental
Reescrita de conto de assombração
Escola Manoel Augusto Dourado
América Dourado, BA

Como se inicia o conto, quais são as características dos personagens, o que é clímax, quais palavras marcam a passagem do tempo, como acontece o conflito e está escrito o desfecho da narrativa? Essa análise de texto foi apenas uma das etapas de um processo que envolveu as crianças de 5º ano na produção de contos de assombração, bastante apreciados nessa faixa etária. O projeto foi realizado em uma pequena escola rural, com poucos livros de contos no acervo e acesso recente à internet. Durante três meses, Ana Amália orientou os alunos por um percurso que incluiu formação de repertório, discussão de modelos, planejamento, textualização e revisão. A reescrita de um conto escolhido levou-os a conhecerem melhor o gênero e se familiarizarem com os desafios da produção textual. Essa estreia na escrita de textos literários originou um livro de contos de assombração.

Ana Cláudia de Abreu Soares

Língua Portuguesa – 4º e 5º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental
Lê comigo!
EM Dom João VI
Rio de Janeiro, RJ

Um projeto de literatura que impactou a escola, transformando-a em uma comunidade leitora, é mérito de Ana Claudia. A pedagoga foi titular de classes de alfabetização e, desde 2012, assumiu a sala de leitura. Ali, estimulou as crianças a várias formas de contato com os livros: propôs leitura autônoma e silenciosa, leitura compartilhada, contação de histórias e relação da literatura com o cinema e o teatro. Visitas de autores e projetos em parceria com outras professoras se destacaram, assim como a escolha criteriosa do acervo, que mescla obras de autores clássicos e contemporâneos. O hábito de ler transbordou por corredores e pátios, onde há exemplares para serem lidos durante a rotina e em horas livres. Para assegurar a imersão de todos os alunos no universo cultural, ela trabalha com vários gêneros e abre espaço para conversas e apreciações.

Aristides Praxedes Dias Neto

Matemática – 6º ano/ Anos Finais – Ensino Fundamental
Um Relógio, Meu Sol
EM Arcanjo Antonino Lopes
Paraíba do Sul, RJ

Aristides motivou os alunos em torno da construção de um relógio de sol, o que exigiu aprendizados específicos de Matemática e de Geografia. Para entender sua estrutura e planejar a instalação em busca do funcionamento perfeito, as turmas de 6º ano lançaram mão de raciocínio matemático, espírito investigativo e pensamento criativo, além de se organizarem em um trabalho coletivo. Ao determinar a direção do Norte Geográfico para a instalação do equipamento, o professor aproveitou para abordar latitude e longitude e o globo terrestre. Em outra etapa, marcaram a posição da sombra, seus ângulos e comprimentos. A exatidão nas medidas e cálculos garantiu o sucesso da estrutura do relógio, sem desperdício de recursos e materiais (a construção da base de tijolos e as soldas no metal foram realizadas por adultos). O ponto alto do projeto foi uma viagem para visitar um laboratório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos. Junto de uma das portarias, há um relógio de sol equatorial, que foi observado e admirado pela turma toda.

Carla Iara do Nascimento Garcia

Ciências da Natureza – 2º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental
Plantas: Da Investigação ao Econegócio

Colégio Municipal José Coutinho Pereira 
Sales Oliveira, SP

Como vamos descobrir se as plantas são seres vivos ou não? Provocados por essa questão, os alunos decidiram que era preciso ler e fazer experiências. Durante as atividades, levantaram hipóteses, organizaram e registraram experimentos para investigar, entre outros, a respiração das plantas, o transporte de nutrientes pelo caule e características de diferentes espécies. Ao pesquisar no aplicativo PlantNet, um grupo de alunos encontrou a Sapindus saponária L., cujo fruto é usado da mesma forma que o sabão convencional, e teve a ideia de fazer um produto ecológico. Carla comprou os frutos pela internet e com eles as crianças produziram um detergente multiuso 100% biodegradável, apresentado na primeira feira do Econegócio do colégio. A turma também fez mudas de saponária – depois de aguardar a quebra de dormência das sementes, que germinaram – e plantou-as no terreno da escola, para que outras pessoas também possam se beneficiar da utilidade da árvore descoberta por elas.

Carlos José de Souza Júnior

Matemática – 2º ano / Ensino Médio
Modelagem STEM e a Matemática Refletida
Escola de Referência em Ensino Médio de Ipojuca
Ipojuca, PE

Um problema de saúde pública local – um surto de diarreia – levou a turma do professor Carlos a encaminhar para análise microbiológica e físico-química a água da comunidade rural. O resultado foi desesperador: o líquido dos poços artesianos tinha a mesma qualidade da do Rio Ipojuca, o segundo mais poluído do Brasil. Incentivados pela abordagem STEM, que se vale de matemática, engenharia e tecnologia para solucionar problemas reais, os alunos criaram um modelo sustentável de forno solar para descontaminar a água. Para isso, associaram geometria espacial (uma pirâmide) a uma fonte de energia renovável, o sol, e a conhecimentos sobre reflexão da luz. Oficinas de Física e Biologia ajudaram na construção do protótipo ideal, que obteve sucesso ao tratar o líquido por um método de pasteurização, eliminando 100% dos coliformes totais e da bactéria E. Coli de seis litros de água em quatro horas de sol. O projeto culminou com a divulgação dos resultados da pesquisa e a doação do protótipo do forno.

Cíntia Lopes Rodrigues

Geografia – 9º ano / Anos Finais – Ensino Fundamental 
Geografia mão na massa
Colégio Mater Dei
São José dos Campos, SP

O projeto de Cíntia é um excelente exemplo da combinação de metodologias ativas, uso de tecnologia e temas geográficos. A organização do estudo em aulas híbridas, sala invertida e procedimentos participativos incentivou o protagonismo dos alunos. A professora fez uma mediação cuidadosa e deu bastante autonomia à turma. Com o uso de seus Chromebooks, eles buscavam informações na internet e as transformavam em algo a ser mostrado nas aulas. Assim, apresentações com músicas pesquisadas no YouTube, mapas conceituais e gráficos feitos com ferramentas do Google, testes montados com ajuda de uma plataforma de aprendizagem baseada em jogos, vídeos e até um guia de expedições com realidade virtual foram alguns dos produtos elaborados pelo 9º ano. Além de se aprimorarem no uso de recursos digitais, ambientes virtuais e aplicativos para trabalhar os conteúdos de Geografia, o projeto levou os estudantes a desenvolverem competências gerais da BNCC como cultura digital, empatia e cooperação, responsabilidade e cidadania.

Cíntia Medianeira Bitencourt de Lima

Artes – 9º ano / Anos Finais – Ensino Fundamental 
(Re) Pensando a vida no planeta
EMEF Lívia Menna Barreto
Santa Maria, RS

Cíntia trata o celular como se fosse lápis, pincel, canetinha ou papel… não dá para negar que o aparelho permite dar vazão à criatividade e ela quer ver seus alunos utilizando suas possibilidades para se expressarem artisticamente com autonomia. Em conversa com os adolescentes, eles definiram que usariam a arte e a tecnologia para divulgar suas ideias e provocar reflexões sobre o meio ambiente e sustentabilidade. A professora escolheu trabalhar com Stop Motion, porém permitiu que as crianças decidissem em qual modalidade montariam as cenas (elegeram a técnica do recorte). A turma foi dividida em grupos: cada um deles criou um personagem principal e escreveu um roteiro; depois, fez o projeto para sua animação com desenhos para, em seguida, produzir cenários e personagens com colagem de papeis coloridos, lápis de cor e outros materiais. Usando celular para capturar imagens, computador e software de edição e um aplicativo de realidade aumentada, a turma finalizou vários relatos curtos que foram reunidos na animação “Planeta Esperança”, exibida na Feira de Ciências da escola.

Cristiele Borges dos Santos

Bebês (11 meses a 2 anos) / Educação Infantil 
Mini-Histórias: uma comunicação potente
EMEI Joaninha
Novo Hamburgo, RS

Recém-formada, Cristiele é professora de crianças bem pequenas. Depois de conhecer e estudar as mini-histórias, seu olhar para elas transformou-se em encantamento. A escola onde trabalha participa do Observatório da Cultura Infantil (OBECI), um grupo de profissionais da Educação Infantil onde se desenvolveu esta forma de documentação, que serve para a comunicação das situações vividas pelas crianças e para a reflexão sobre a prática docente. Em 2018, a educadora inovou nas narrativas, usando não somente uma sequência de fotos com ações ocorridas no mesmo dia, mas também imagens de momentos diferentes que traduzissem o sentido das interações entre as crianças. Assim, acompanhou dois meninos brincando juntos em várias oportunidades, relatando sua relação de amizade. Também registrou a jornada completa da turma em mais páginas, para compartilhar com as famílias todos os aprendizados dos pequenos. Preocupada em qualificar as experiências das crianças, Cristiele diz que é importante que elas tenham acesso às mini-histórias, onde podem reconhecer a si próprias e aos colegas.

Dayane Martin Silva

Língua Portuguesa – 6º ano / Anos Finais – Ensino Fundamental 
Sequência didática: fábulas
EE Professora Judith Ferreira Piva
Ribeirão Pires, SP

Uma sugestão do currículo oficial – o trabalho com o gênero fábula – fez a professora Dayane selecionar material didático para ampliar o repertório dos alunos e elaborar uma sequência de atividades com desafios e objetivos diferentes para cada etapa. Desde o início, ela compartilhou com a turma que a intenção era escreverem um livro para ser lido por crianças dos 4ºs e 5ºs anos de duas escolas próximas. Sabendo de dificuldades de leitura de cada criança da turma, por conta de uma avaliação minuciosa entregue pela secretaria, ela organizou grupos produtivos para que pudessem superá-las. Os alunos produziram diferentes versões dos textos e a professora fez observações pertinentes em cada um. Após a revisão da escrita das produções finais, eles foram orientados a fazer, individualmente, um desenho que refletisse a ideia de suas próprias fábulas. Além disso, houve um concurso para o melhor desenho para a capa. Uma editora publicou as três coletâneas de fábulas – uma para cada sala de Dayane –, que foram lançadas com tarde de autógrafos e lidas para crianças mais novas em uma escola vizinha.

Ederson Sales Pastor

Matemática – 1º, 2º e 3º ano/ Ensino Médio
Matemática e Acessibilidade
SESI 148 Centro Educacional
Birigui, SP

Ederson engajou todo o Ensino Médio da escola no projeto, focado em bolar soluções para uma residência popular adaptada a pessoas que utilizam cadeira de rodas ou possuem mobilidade reduzida. Os alunos do 1º ano desenharam a planta baixa de casas em acordo com as normas da ABNT e elegeram uma delas para aprimorar com um software de modelagem 3D no laboratório de informática. Estudando sobre sólidos geométricos, figuras planas e medidas de superfície e volume, a turma do 2º ano planejou e montou um protótipo de um armário acessível a cadeirantes. Já os estudantes do 3º ano projetaram portas que abrem e fecham automaticamente, usando recursos tecnológicos do Arduino, conceitos de programação e de lógica. Para validar ainda mais o esforço dos alunos, que mobilizaram seus conhecimentos matemáticos para vencer desafios, o professor convidou o presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Birigui (ADEFIBI) – cadeirante e marceneiro – para conhecer o projeto e dar um parecer de especialista sobre a funcionalidade do guarda-roupa.

Eliane Regina da Rosa Bergui

Crianças bem pequenas (2 e 3 anos) / Educação Infantil
Jurassic Art
CEI Miosótis
Joinville, SC

Eliane e as colegas educadoras do CEI Miosótis construíram uma caverna de papel e a rechearam com folhas secas, troncos de arvores, barro e areia, dinossauros de brinquedo, luminárias e uma caixa de som emitindo ruídos dos animais. A surpresa encantou as crianças, que exploraram todos os elementos. Depois, foi a vez de verem um dinossaurinho nascer de um ovo, preparado com balão, jornal e cola branca. As crianças também carimbaram figuras em argila para simular fósseis, moldaram dinossauros com gesso, brincaram de arqueologia na caixa de areia e com um dino de papelão no pátio. Focado no aspecto lúdico, o projeto teve grande participação das professoras como organizadoras de ambientes e promotoras de experiências e interações para os pequenos. Mesmo trabalhando com uma turma de 25 crianças – número usual nos CEIs brasileiros – uma delas com necessidades especiais, Eliane conseguiu fazer uma escuta atenta dos interesses de todas, respeitando-as e ampliando sua curiosidade sobre a temática.

Francilda Fonseca Machado

História – 6º ao 9º ano / Anos Finais – Ensino Fundamental 
Sarilho: a História vira cena
Escola Municipal Santa Bárbara
São Bento, MA

Em uma comunidade rural, remanescente de quilombos, que vive da pesca e da produção de farinha de mandioca, os alunos foram incentivados a estudar a história local formando uma pequena companhia de teatro. O grupo de crianças de diferentes idades, que participam voluntariamente, escreve e encena suas próprias peças depois de fazer pesquisas sobre o povoado, as casas de farinha e seus equipamentos e entrevistas com os trabalhadores. O teatro é um recurso valioso na medida em que a representação da realidade possibilita o distanciamento necessário para analisá-la de modo reflexivo e por isso a estratégia da professora Francilda é interessante. Ao planejar suas encenações, a turma pode despertar para a importância do cotidiano, percebendo que o indivíduo faz história enquanto vive. Além disso, desenvolveu um sentimento de pertencimento, identidade e valorização de aspectos históricos de São Bento, dos sujeitos locais e da influência de culturas como a negra e a indígena.

Jackson Vieira Machado

Educação Física – 6º ano / Anos Finais – Ensino Fundamental 
Subindo e descendo a ladeira do saber
Colégio Estadual do Campo Professora Fabiana Pimentel
Castro, PR

O entusiasmo dos alunos do 6º ano pela brincadeira com o carrinho de rolimã, apresentado a eles pelos colegas do Ensino Médio em outro projeto da escola, deu a partida para o resgate dessa atividade, com pesquisa sobre sua história, fatos, competições, modelos e métodos de construção. O professor Jackson ofereceu situações que valorizaram a ação dos estudantes, que deram sugestões, fizeram reflexões, construíram carrinhos e, principalmente, socializaram com crianças de outras escolas o que aprenderam em quatro meses. Um acontecimento oportuno e emocionante foi a participação de boa parte da turma na maior corrida de carrinhos de rolamento do Brasil, na cidade paranaense de Ponta Grossa, que levou os estudantes a ampliarem seus horizontes culturais e geográficos e a aprenderem sobre protagonismo, cidadania, lazer, responsabilidade e convivência em grupo.

Jacqueline Martins

Educação Física – 6º ao 9º ano – EJA /Anos Finais – Ensino Fundamental 
Vôlei para idosos
CIEJA Aluna Jéssica Herculano
São Paulo, SP 

Jacqueline é uma profissional formadora, pesquisadora e muito atuante na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Neste projeto participaram duas turmas, em torno de 40 alunos no total, 15 deles com alguma deficiência. Pessoas com mobilidade reduzida, usuários de cadeira de rodas, idosos, deficientes intelectuais e físicos: a professora conseguiu incluir todos e dar acesso, conhecimento e experiências significativas para a prática esportiva do vôlei. Nas aulas, que acontecem em uma rua paralela à Rodovia Raposo Tavares, eles buscaram suas próprias formas de jogar, sem interromper demais o andamento do jogo. Um exemplo foi deixar que uma cadeirante com limitações motoras empurrasse a bola de cima de uma prancha. Com a intenção de ampliar os conhecimentos a respeito do vôlei de idosos, Jacqueline levou vídeos sobre a modalidade para serem analisados em conjunto. Também proporcionou uma saída para jogar vôlei de idosos com uma equipe numa quadra do SESC, garantindo vivências inéditas para os estudantes.

Jaqueline Nascimento da Silva Reis

Língua Estrangeira – 9º ano e EJA / Anos Finais – Ensino Fundamental
Foire Culturelle – Fête de la Francophonie
EE Prof. Lucimar Amoras Del Castillo
Macapá, AP

O Amapá é o único estado brasileiro que faz fronteira com a Guiana Francesa e esse projeto, que tem o Francês como língua estrangeira, foi muito além de uma feira cultural. Colocou no centro o estudo de países francófonos, seus aspectos geográficos e histórico-culturais, como culinária, música e processo de colonização. Jaqueline planejou uma sequência de três meses que incluiu situações de comunicação autêntica, a exemplo da escrita de cartões postais e de cartazes. Com uma série de jogos dramáticos, a professora, que possui especialização em jogos teatrais, estimulou a turma à prática oral. Houve também leitura, escrita e estudo de estruturas linguísticas relacionadas aos textos e gêneros abordados. O projeto envolveu alunos do 9º ano regular e do EJA e contemplou habilidades diferentes, fazendo com que alguns demonstrassem maior segurança nas etapas de trabalho individual e de escrita e outros se soltassem nas situações de produção coletiva e oral.

Josilaine Amancio Corcóvia

Geografia – 4º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Aquífero Guarani: Um tesouro escondido
Complexo Educacional Profª. Vera Lucia Pansardi Casagrande
Ibiporã, PR

O projeto de Josilaine incentivou as crianças por uma investigação científica em Geografia que partiu da pergunta: De onde vem a água de nossa cidade? Com repertório fornecido pela professora e pesquisas na sala de informática, a turma construiu jogos sobre os biomas, analisou mapas e imagens, além de fazer anotações em visitas de campo. Os alunos produziram levantamentos regionais e focaram na realidade do abastecimento local. Para isso, contaram com a parceria do Sistema Autônomo de Abastecimento de Água e Esgoto (SAMAE) que proporcionou palestras sobre a economia de água, visitas à captação de água do Aquífero Guarani e à Estação de Tratamento. Josilaine acompanhou as necessidades de cada aluno para que todos aprendessem linguagem textual, imagética e espacial. Mesmo os que, no início, enfrentavam dificuldades na escrita, relataram com propriedade as suas observações. A compilação dos textos resultou em um livro sobre Geografia, com direito a noite de autógrafos e divulgação pela imprensa do município e também em cidades vizinhas como Londrina.

Joyce Aparecida Camargo de Oliveira

Língua Portuguesa – 1º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Pequenos Compositores
EM Coronel Almeida
Mogi das Cruzes, SP

Joyce aliou o potencial de canções a suas estratégias de alfabetização. Montou um caderno com letras de músicas para apresentar às crianças que serviu como um guia para as etapas do trabalho. A seleção cuidadosa incluiu composições de Beethoven, Villa-Lobos e música popular brasileira como obras de Vinícius e Toquinho. Além da apreciação musical, era feita uma leitura da biografia do compositor e da letra, com observação de versos, estrofes e rimas. A reescrita da letra, em duplas, a busca de palavras-chave, o preenchimento de lacunas no texto e a criação de paródias das canções foram algumas das atividades nas quais os alunos puderam se aprimorar nas hipóteses de leitura e escrita. A professora também convidou um compositor local para ser entrevistado pela turma. Por fim, as crianças elaboraram a letra de uma música sobre brincadeiras, elencando palavras-chave e rimas com a ajuda de Joyce, que, com seu violão, acrescentou uma melodia. A música foi gravada em estúdio e apresentada à comunidade escolar.

Julmara Goulart Sefstrom

Arte – 5º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Conexões: memória, patrimônio e arte
Escola de Educação Básica Antônio Guglielmi Sobrinho
Içara, SC

Julmara pediu aos alunos do 5º ano que construíssem, junto com suas famílias, uma caixa de relicários, que revelava um pouco de suas heranças, memórias e tradições. Foi o ponto de partida para um estudo de oito meses sobre patrimônio, que incluiu a apreciação de obras de artistas como Rosana Paulino, Arthur Bispo do Rosário e Sergio Luis Bonson, e de espaços como a Casa do Ferroviário Anselmo Cargnin, construção do município em processo de tombamento pelo IPHAN. A professora organizou visita ao ateliê do artista Edi Balod e saídas fotográficas para registro de patrimônios locais, além de incentivar produções artísticas para comunicar memórias. Tudo ia sendo registrado em portfólios pelas crianças. No meio do projeto, o incêndio do Museu Nacional levou Julmara a introduzir reportagens e reflexão sobre o fato, que mobilizou a turma na produção coletiva do “manto da decepção” com pinturas e bordados de protesto contra o descaso ao patrimônio nacional.

Kátia Chiaradia

Língua Portuguesa – 9º ano / Anos Finais – Ensino Fundamental 
Representatividade no combate ao racismo
Instituto Educacional Imaculada
Campinas, SP

Para atrair os alunos ao tema do racismo, a professora escolheu um filme de super-herói estrelado por um negro e abriu com a classe uma discussão sobre a representatividade nas artes. Criou uma sequência didática com objetivo de preparar seus alunos do 9º ano da escola particular, majoritariamente brancos e de classe social privilegiada, para refletir sobre questões raciais, trabalhar com a argumentação e escrever um artigo de opinião. Em paralelo às etapas, iniciou uma discussão em um fórum virtual com intelectuais e ativistas negros sobre o primeiro grande herói negro do universo dos quadrinhos. Depois de selecionar as interações obtidas, Kátia levou-as para serem lidas e foi realizada uma discussão coletiva. Essa estratégia levou os alunos a ver o negro numa posição de autoridade intelectual, invertendo os papéis sociais normalmente atribuídos a negros e brancos. Engajados no debate, os estudantes desenvolveram a habilidade de argumentar e competências socioemocionais como empatia e consciência social.

Lília Cristiane Barbosa de Melo

Língua Portuguesa – 1º a 3º anos / Ensino Médio 
Cine Club Terra Firme
EEEFM Brigadeiro Fontenelle
Belém, PA

O bairro Terra Firme tinha fama de ser um dos mais violentos de Belém. Mas está virando um polo cultural graças ao protagonismo de estudantes e ex-estudantes e à professora Lília, que organizou grupos de trabalho de dança, teatro, artes visuais, canto, poesia preta e audiovisual. Além dos saraus itinerantes apresentados nas ruas e em escolas, os jovens produziram curtas-metragens que retratam a realidade da periferia. O maior mérito do projeto é fazer a juventude local reconhecer sua potencialidade artística e valorizar sua identidade cultural – afro-indígena, ribeirinha e periférica –, canalizando as energias em criações coletivas e conquistando espaços de atuação. A interação entre escola e o bairro é tanta que a produção de um jornal com propósitos pedagógicos transformou-se em ferramenta de comunicação comunitária. O aprimoramento da leitura e da escrita se dá em situações reais de uso. Os alunos elaboram declarações e crachás, leem editais, escrevem textos cerimoniais e divulgações em mídias sociais, entre outros gêneros, o que dá outro sentido para os estudos formais da língua.

Lilian Lima Pereira

Filosofia – 3º ano / Ensino Médio
Em retalhos: recontando histórias de si
Centro de Educação Profissional em Biotecnologia e Saúde
Itabuna, BA

Lilian venceu um desafio: fazer com que estudantes do curso técnico de enfermagem percebessem algum significado na filosofia. Encontrou o caminho ao observá-los e notar como se relacionavam e como se percebiam. Primeiro, abordou o conceito de identidade, corpo e corporeidade a partir do pensamento de  Foucault e os conceitos de liberdade e responsabilidade, segundo Sartre. Esses estudos aconteceram por meio de leituras, muitas discussões, reflexões sobre suas vidas e seus futuros profissionais. Os estudantes produziram narrativas autobiográficas, vídeos, poemas, contos e dramatizações sobre a noção do corpo constituindo-se “ser”, reconhecido e respeitado. Vieram à tona depoimentos que anunciaram e denunciaram situações de abuso e exploração vividos por esses alunos e alunas. O projeto transbordou da sala para a escola, que estabeleceu parcerias com o Conselho Tutelar, o Ministério Público e a Secretaria de Assistência Social da cidade de Itabuna.

Marcelo Luiz de Souza

Educação Física – EJA / Ensino Médio
Tematizando a capoeira
Colégio Santo Inácio (Noturno-EJA)
Rio de Janeiro, RJ

Marcelo ampliou a cultura corporal de seus alunos de EJA, levando-os a conhecer a fundo uma prática com a identidade e a raiz do povo brasileiro, a capoeira. Com estratégias e atividades de ensino-aprendizagem bem planejadas, como experiências corporais, trabalhos em grupo e preparação de conteúdos para apresentações coletivas, o professor conseguiu romper com estereótipos e preconceitos e garantir a participação de todos. Jovens, adultos e idosos pesquisaram, estudaram, interagiram e reconheceram potencialidades e limitações ao explorar os movimentos da capoeira. Compreenderam que o movimento nunca é algo acabado, mas sim reconstruído e ressignificado por quem participa dele. Os alunos também ampliaram conhecimentos  sobre a história da capoeira, seus valores, rituais e costumes da roda, cânticos e instrumentos usados. Uma estudante e mestre capoeirista compartilhou sua experiência com o grupo, o que valorizou ainda mais a prática. Adaptações no ritmo e nos gestos da capoeira possibilitaram a cada um “jogar” do seu jeito, o que fez da inclusão um ponto marcante do projeto.

Marciléa Marques da Costa

Língua Estrangeira – 3º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Aprendendo inglês com Eric Carle
EE de Tempo Integral Nossa Senhora das Graças
Manaus, AM

The very hungry caterpillar, do autor americano Eric Carle, uma referência em literatura infantil em língua inglesa, foi escolhido para ser o tema central do projeto de Marciléa, muito bem amarrado didaticamente. O livro permite realizar um trabalho de vocabulário adequado à faixa etária e ao nível de proficiência de estudantes iniciantes. A professora investiu em procedimentos de leitura interessantes, que buscam a compreensão por meio das ilustrações e das repetições de estrutura. Também cuidou do aspecto lúdico, mas sempre dentro do contexto; uma das tarefas, por exemplo, foi fazer uma salada com as frutas citadas na história. Além da leitura, os alunos assistiram a vídeos, fizeram atividades escritas e desenvolveram a oralidade com o vocabulário estudado (comidas, dias da semana, numerais e ciclo de vida da borboleta) e ensaiaram o texto para uma apresentação teatral. Preocupada em garantir que todos os alunos tivessem seu próprio “exemplar” do livro, já que em sala só havia o seu, ela levou material e referências para que cada criança produzisse um booklet.

Marco Aurelio Costa Ribeiro

História – 6º ano / Anos Finais – Ensino Fundamental 
O 6º ano vivendo há “onze mil anos atrás”
EM Brigadeiro Cunha Machado
Santo Amaro do Maranhão, MA

Marco tratou da antiguidade dos povos da América e do Brasil, que inclui arqueologia e pinturas rupestres, engajando o 6º ano em uma série de atividades. O professor propôs estudos das pedras (mineralogia) e de artefatos líticos dos antigos indígenas e a recriação das tintas das pinturas desses ancestrais. Os alunos colheram urucum, produziram a tinta, estudaram os desenhos registrados nas cavernas e os reproduziram em cartazes. Por conta da dificuldade da escrita, identificada nos relatórios que produzem, Marco introduziu também trabalhos com oralidade, dando à turma oportunidade de gravarem vídeos. Vale dizer que o professor leva um dia para chegar no povoado, onde leciona Geografia e História para 18 crianças (11 a 13 anos) de diferentes localidades próximas, em uma região com dunas e areia. A escola é muito simples e não possui equipamentos. Todos os materiais são comprados ou de posse do professor, como é o caso do computador, onde exibe filmes e documentários, e do celular, usado como equipamento para gravação.

Marilene da Mota Costa

Gestora – Coordenadora Pedagógica / Ensino Fundamental 
Formação de Professores no Chão da Escola
Escola de Ensino Fundamental Vinicius de Moraes
Itupiranga, PA

A coordenadora Marilene realiza o projeto em uma escola do campo que funciona como polo de outras 14 escolas anexas na zona rural de Itupiranga, com o objetivo de favorecer o trabalho de todos os professores e a formação leitora de todos os alunos. A partir da identificação dos problemas encontrados nas escolas é que se organiza os conteúdos da formação. Por isso, a prioridade é o investimento na proficiência leitora e os encontros dos professores tratam das situações mais apropriadas para alcançá-la. O projeto é um desdobramento do Programa “Formação de Formadores: Constituindo redes Colaborativas de Aprendizagens”, desenvolvido pela Secretaria de Educação, e tem pressupostos importantes que pautam a atuação de Marilene: a escola é o espaço privilegiado de formação continuada dos professores, é papel do coordenador pedagógico fazer esse trabalho e disso depende a qualidade da aprendizagem dos alunos. Os resultados têm comprovado a pertinência desse movimento virtuoso, pois todos tiveram avanços muito expressivos em seus conhecimentos.

Marina Basques Masella

Crianças pequenas (4 e 5 anos) / Educação Infantil 
Samba, samba, samba ô lelê!
EMEI Nelson Mandela
São Paulo, SP

A EMEI é vizinha da quadra da escola de samba Rosas de Ouro. Marina aproveitou o fato para explorar a temática do samba, abordar equidade racial e de gênero, de acordo com o currículo cultural da Educação Física. Depois de investigar junto às crianças os significados que elas atribuíam a essa prática corporal, a professora organizou uma roda de conversa munida de fantoches, mapas, tecidos e brinquedos e falou sobre a chegada dos africanos no Brasil e as origens do samba na Bahia e no Rio de Janeiro. Várias etapas seguiram-se, proporcionando vivências diversas: as crianças manipularam instrumentos musicais como o ganzá e o reco-reco, ouviram um sambista local contar sobre sua relação com o bairro e o samba, assistiram a uma peça teatral com ritmos de origem africana e receberam a visita da bateria mirim da Rosas de Ouro. A turma também pode expressar suas ideias ao apreciar imagens em livros, conversar sobre racismo e preconceito e se soltar em atividades com música e dança.

Maurício Barbosa de Lima

Arte – EJA / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
A conscientização pelo movimento na EJA
EM Antônio Santos Coelho Neto
João Pessoa, PB

Tomar consciência dos seus movimentos corporais e estudá-los para dar vida a um teatro de bonecos foi um processo planejado em etapas pelo professor Maurício para suas turmas de EJA. Primeiro, ele sensibilizou os alunos – adultos de 20 a 60 anos no ciclo de alfabetização – aguçando os cinco sentidos. Depois, iniciou com a turma a confecção dos bonecos de balcão com embalagens plásticas, madeira e papel machê, contando com a ajuda de uma bonequeira. Jogos corporais deram chance a todos de explorar movimentos e sua percepção. Então o professor mostrou a dança de Angel Vianna e a arte supra sensorial de Hélio Oiticica e incentivou os alunos a buscarem uma linguagem própria. Quando passaram a modelar e a pintar os rostos dos bonecos, mostravam cada vez mais entusiasmo e faltavam menos às aulas. Usando criatividade e expressividade, os estudantes elaboraram cenas com base em seu próprio cotidiano, que foram apresentadas no Teatro Santa Roza, o mais antigo de João Pessoa.

Miriam Fátima Esposito

Língua Portuguesa – 1º a 3º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Um pé de nada, um pé de tudo!
EM João Apolônio dos Santos Pádua
Paraty, RJ

Miriam é professora de uma turma multisseriada de 1º a 5º ano em uma pequena escola na praia do Baré, Paraty. Com olhar cuidadoso para a cultura caiçara, ela aproveitou toda e qualquer situação relacionada ao resgate da história da escola e aos costumes da comunidade para favorecer processos de leitura e de escrita com todas as crianças. Entre as atividades do projeto se destacam as entrevistas feitas com uma antiga moradora da região e sua filha, uma ex-professora da escola que iniciou, em 1978, o replantio de uma encosta junto com seus alunos e alunas, tornando-se a grande responsável pelo reflorestamento do lugar. “Um pé de nada, um pé de tudo!” é o título dado ao minidocumentário sobre essa importante figura caiçara, roteirizado e editado pela turma, e também a um repente sobre o mesmo tema. A cantiga teve seus versos criados coletivamente pelas crianças e por Miriam, e depois foi musicada. Ao apresentar as produções à comunidade de Paraty, a educadora cumpriu sua principal bandeira, a de dar visibilidade para aquele pequeno porém significativo grupo de alunos, dando relevância a seu fazer escolar. 

Mônica SANTOS QUEIRÓZ DE PAULA Zonta

Matemática – 3º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Programando problemas
EMEF CEU Paraisópolis – Professora Marisa Motta
São Paulo, SP 

Mesmo sem saber programar, Mônica foi em busca de informações, acreditando que a prática favoreceria a aprendizagem dos seus alunos. Ter que dividir seis computadores para 32 crianças não a fez desistir de investir nas possibilidades de sua turma. No início do ano, parte dela não sabia qual número vinha após o 99 e maioria tinha dificuldades para compreender uma situação-problema. Além disso, o pensamento lógico e o uso da tecnologia não faziam parte do seu cotidiano. Por esses motivos, foi ousado o passo dado pelos grupos produtivos organizados pela professora. Eles aprenderam a elaborar e a resolver algumas situações-problemas e começaram a pensar na ideia de variável, também se aproximaram dos princípios de programação e da utilização de QRCode para acesso aos problemas que seriam resolvidos online. O trabalho foi apresentado na Mostra Cultural de Paraisópolis pelos próprios alunos, que explicaram a atividade aos visitantes.

Paula Godoy Sant’Anna

Crianças pequenas  (4 e 5 anos) / Educação Infantil
Diálogo entre escolas
EMEI Professora Rosemary Silva
São Paulo, SP

A EMEI Prof a . Rosemary fica na periferia sul paulistana. Uma turma de crianças de 4 e 5 anos desta escola começa a trocar correspondência com outras da mesma idade, que estudam em uma escola privada de um bairro nobre da capital. Elas desenvolvem um grande interesse umas pelas outras e por meio das cartas vão descobrindo gostos semelhantes: gostam de brincar, comer coisas gostosas, dançar, ouvir histórias, desenhar, investigar o mundo. Outra coisa que têm em comum é a professora Paula, que, neste projeto de correspondência, aproximou as duas turmas e planejou boas situações de aprendizagem envolvendo a leitura e a produção de cartas. A docente preocupou-se em ler cartas pessoais para servirem como modelo e orientou o trabalho de tal forma que as crianças pudessem escrever em colaboração com os colegas. Além das cartas, os pequenos trocaram vídeos, dicas culturais e livros. No final do projeto, um sarau organizado por Paula no colégio particular reuniu, enfim, as turmas, que recitaram poesias umas para as outras em pequenos grupos e puderam brincar juntas.

Priscila da Silva de Medeiros

Língua Portuguesa – 5º ano / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Professora, como se escreve?
EM Dona Miloca
Rancharia, SP

Ao produzirem um texto, os alunos do 5º ano interrompiam muito a tarefa para perguntar como se escreviam as palavras. “Pro, enchente se escreve com X ou CH?” Rato começa com dois R?” Vendo que havia lacunas de aprendizagem de anos anteriores e que as crianças faziam reflexões sobre questões ortográficas, optou por realizar um diagnóstico cuidadoso. Analisou os tipos de erro que apareceram na reescrita de uma história, montou uma tabela individual por aluno e calculou os percentuais das transgressões ortográficas mais encontradas na turma. Partindo de demandas reais, realizou sequências de atividades para os distintos problemas e reuniu em grupos quem tinha os mesmos impasses. Além de levar as crianças a tomarem consciência da importância da escrita correta, ela se preocupou em oferecer recursos para que resolvessem suas dúvidas com autonomia. Orientou, por exemplo, a usar o dicionário ou outras fontes de informação como cartazes e listas expostos na sala. Assim, todos ganharam mais segurança na hora de colocar suas ideias no papel.

Regeane Ramos Chaves

Gestora Escolar – Diretora / Anos Iniciais – Ensino Fundamental 
Do tradicional a uma Educação inovadora
EM de Educação Integral Dr. Sérgio Alfredo Pessoa
Manaus, AM

Localizada em um bairro com alta vulnerabilidade social, a escola estava desacreditada pelos pais, que levavam seus filhos para outras mais distantes em busca de qualidade no ensino. Logo após assumir a instituição, a diretora Regeane se deparou com outro desafio, a concepção de educação integral passou a vigorar a partir de 2017. Foi a deixa para uma virada inovadora. A gestão reorganizou as aulas em ateliês de aprendizagem, batizados com nomes de animais em extinção e coordenados pelos professores de acordo com sua área de interesse. Meninos e meninas seguem roteiros de estudos passando pelos ateliês de linguagem, matemática, ciências, artes, educação financeira, empreendedorismo, cultura digital e muitos outros. A iniciativa motivou professores e alunos e teve grande impacto: o IDEB da escola passou de 4,6 para 7,1, a aprovação chegou a 100% e a evasão foi zerada. Regeane não descansa, investe em formação continuada dos docentes e em recursos tecnológicos para dar suporte às aulas e entusiasmar as crianças a saberem sempre mais.

Renato Dutra Gomes

Língua Portuguesa – 9º ano / Anos Finais – Ensino Fundamental 
Desbloqueando a escrita
EMEF Geraldo de Almeida
São José dos Campos, SP

O principal mérito do projeto de Renato foi romper com o mito de que só alguém especialmente talentoso pode escrever. O professor decompôs a atividade da criação em passos simples e fez, gradativamente, com que as narrativas surgissem diante dos alunos, que passaram a se sentir capazes de produzi-las. Ao longo do semestre, o professor selecionou e pediu a leitura de contos clássicos, trouxe autores para debater com as turmas e apresentou a si mesmo como um escritor, de modo a fazer a escrita parecer algo normal. Também abordou temas como o funcionamento do mercado editorial, o que deu aos estudantes a percepção da escrita como trabalho, não como dom. A sequência didática se baseou em métodos de produção de roteiros, ajudando a turma a conceber o ponto central de narrativas mais fluídas: o enredo. Em suas devolutivas aos contos escritos pelos adolescentes, Renato fez sugestões culturais personalizadas, indicando leituras, músicas ou filmes. Com esses incentivos, os alunos avançaram no domínio de estruturas narrativas e se inseriram com confiança na comunidade de leitores e escritores. 

Rosimeire dos Santos Guerra

Gestora Escolar – Diretora / Ensino Médio e EJA
Reescrevendo o nosso PPP
Colégio Estadual Félix Mendonça 
Itabuna, BA

A diretora refuta a ideia de enxergar a juventude como problemática, mesmo em uma unidade antes dominada por tráfico de drogas, episódios de agressão e destruição do patrimônio. Sua atuação empodera os jovens como sujeitos sociais, que precisam ser ouvidos e considerados na escola, no trabalho e na política educacional. Para Rosimeire, é essencial saber para quem está sendo realizado o PPP (projeto político pedagógico), pois isso determina quais e como serão suas ações. Sua linha de gestão envolve jovens e adultos nas tomadas de decisões; eles participam de jornadas pedagógicas e de assembleias regulares em que representantes de classe relatam o trabalho dos professores e indicam alunos que precisam de atenção na aprendizagem e em questões pessoais. Aproximar o processo de ensino da realidade dos estudantes teve resultados impactantes: o IDEB de 2017 cresceu para 5,6 (em 2007 era 2,2!); há mais leitores por conta de projetos de leitura; aumentou o número de alunos ingressando em universidades públicas e as famílias e a comunidade passaram a valorizar os esforços da equipe escolar.

Simone dos Santos Catão

Matemática – 1º ano/ Ensino Médio
Não existem fronteiras para a Matemática
Escola Olavo Brasil Filho

Boa Vista, RR

O projeto de Simone é inspirador por reconhecer que o conhecimento matemático, aliado ao de outras áreas, pode apoiar inclusive as dificuldades de relações sociais. Tudo começou por observar que parte dos estudantes brasileiros do 1º ano não aceitava seus colegas refugiados. A professora percebeu que os alunos poderiam vivenciar, por meio dos números, a situação dos venezuelanos e os motivos da crise que trouxe 50 mil imigrantes só para Boa Vista. Estimulou a autonomia dos adolescentes pedindo que coletassem dados sobre a nação vizinha. O trabalho durou um semestre e, a cada etapa, os grupos apresentavam suas pesquisas e produções para toda a classe. Os alunos compreenderam as trocas cambiais entre o real, o bolívar e o dólar; interpretaram gráficos e tabelas com informações estatísticas; discutiram sobre a relação entre a escassez de produtos e a inflação e resolveram problemas referentes às variações percentuais, juros simples e compostos. O processo foi educativo: ao tomarem consciência da realidade no outro país, eles desenvolveram a empatia necessária para conviver com seus colegas.

Vanessa Weber de Castro

Arte – 1º ano/ Ensino Médio
Canções da Tijuca II
Colégio Pedro II
Rio de Janeiro, RJ

Todas as turmas do 1º ano do Colégio Pedro II aceitaram o desafio lançado por Vanessa e embarcaram na viagem da composição musical. O projeto foi realizado com 180 alunos, divididos em suas classes, e resultou em onze canções com temáticas, ritmos e propostas variadas. A professora usou um esquema de etapas ao longo de um semestre, que partiram da discussão de conceitos musicais e da apreciação de canções de várias culturas até chegarem a ensaios e a gravação. Os alunos, que são familiarizados com instrumentos e canto desde os primeiros anos no colégio, tomaram as decisões, num verdadeiro exercício de criação coletiva. As turmas seguiram um ritmo próprio: algumas definiram logo tema, letra, ritmo e melodia, sobrando bastante tempo para elaborar os arranjos e ensaiar a performance; outras se alongaram discutindo a temática e a letra, tendo menos tempo para os ensaios. As músicas e as falas dos alunos foram registradas em dois Cadernos de Canções, espécies de songbooks organizados pela professora, com partituras e letras das canções e uma breve descrição do processo de criação.

Viviane Zimermann Heck

Crianças bem pequenas (2 e 3 anos) / Educação Infantil 
Mini-Histórias: Narrativas da infância
EMEI Caracol
Novo Hamburgo, RS

Miguel cutuca a areia com escumadeira e colher de pau, Valentina mostra destreza ao descascar uma banana e Isabela cobre a boneca com cuidado para fazê-la dormir… Essas narrativas, bem documentadas por fotos e escrita com texto poético, viram mini-histórias, que mostram como as crianças se relacionam, o que pesquisam e seus interesses na Educação Infantil. Além de legitimar suas formas de construir conhecimento, sua identidade e como vivem essas experiências, os relatos dão visibilidade aos fazeres das crianças para as famílias. As mini-histórias são um método de documentação inspirado nas propostas da região de Reggio Emilia, na Itália, e desenvolvido no Observatório de Culturas Infantis (OBECI), em Novo Hamburgo (RS). O olhar sensível da professora, que observa e registra de longe, munida de câmera com zoom, capta momentos em que as crianças são protagonistas, tornando especial o que poderia passar despercebido. O material é impresso e disposto à altura dos pequenos na parede da EMEI ou socializado via rede social, compondo deliciosas memórias de infância.

Wagner Alexandre

Biologia – 1º ano / Ensino Médio
Batalha dos Deuses
Colégio FourC Academy
Bauru, SP 

Usando as estratégias de sala de aula invertida e a gameficação, Wagner, conhecido como Prof. Montanha, conseguiu engajar seus alunos ativamente no estudo de conteúdos tradicionais da Biologia, os diferentes reinos de seres vivos. Em uma plataforma digital, os estudantes faziam anotações em cadernos eletrônicos sobre os conceitos aprendidos em casa (em vídeos aulas e outros materiais indicados pelo professor) e preenchiam um questionário eletrônico, o que informava o professor ao longo do processo sobre as aprendizagens de todos os alunos, além de permitir a ele dar orientações de estudo mais personalizadas. Depois disso, Wagner dividiu a turma em grupos que se dedicaram à construção de um jogo do tipo RPG, criando personagens, universos e as cartas de ataque e defesa com adaptações das espécies encontradas em cada reino. Para o desenvolvimento do jogo, ele elaborou para os jovens um roteiro de orientação e uma rubrica, que apresentava como ele avaliaria cada etapa de projeto e apresentação do jogo, deixando claros os objetivos a serem alcançados.