Parabéns aos finalistas do Prêmio Educador Nota 10 – 2021!

Em um cenário tão desafiador quanto o de 2020 e 2021, em plena pandemia, estes 50 educadores se destacaram por mostrarem excelência em suas práticas, que são exemplares na Educação Básica brasileira. Os trabalhos selecionados vieram de 14 estados e abrangem da Educação Infantil ao Ensino Médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o Atendimento Educacional Especializado (AEE).


Ana Jurkiewicz

AEE – 3º ano / Ensino Médio
Trabalho: Se eu canto em inglês por que não posso cantar em LIBRAS?
Escola: Colégio Estadual Euclydes da Cunha
Teresópolis,  RJ

Que professor eu serei ao entrar em uma sala de aula que tenha um aluno surdo? Se partirmos do pressuposto que somos todos diferentes, o que seria inclusão? Essas foram algumas reflexões que a professora Ana lançou às suas alunas do 3º ano do Ensino Médio/Formação Normal. Mesmo sem nenhum aluno surdo usuário da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) na escola, ela teve a preocupação ética e política de motivar a turma a enfrentar barreiras que colocam as pessoas na situação de “deficiente”. Pesquisando em meios digitais, as estudantes deveriam produzir musicais que tratassem da LIBRAS de forma natural, como se fosse qualquer outro idioma. Os videoclipes sensíveis em que elas “cantam” em LIBRAS obtiveram mais de 10 mil visualizações nas redes sociais, mostrando que é possível resgatar o direito das pessoas com deficiência auditiva à cultura da sociedade da qual fazem parte. A atividade colaborou para formar profissionais comprometidas com a prática pedagógica inclusiva, preparadas para receber as pessoas com surdez na escola de maneira consciente e informada.

Andreia Cristina Maia Viliczinski

Matemática –  9º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: Desbravando a matemática aplicada na infraestrutura de pontes
Escola: EEB Marli Maria de Souza
Joinville, SC

Em um cenário de volta às aulas presenciais, com um laboratório de Ciências recém-inaugurado na escola, a professora Andreia movimentou a turma do 9º ano na exploração de geometria, medidas e operações presentes na construção de pontes. Como monitoras da atividade, ela escolheu as estudantes que participavam do Meninas na Ciência, projeto realizado no contra turno em parceria com Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o CNPq. Sem o apoio de explicações teóricas, os alunos se lançaram à investigação sobre formas e dimensões das pontes, o que os levou a pesquisas e a boas discussões sobre conceitos matemáticos. Cada grupo desenvolveu seu projeto e construiu uma ponte diferente, o que resultou em medidas e cálculos diversos. Noções básicas de física, como massa, peso e força também foram estudados. Nas oficinas, a professora deu espaço para tentativas, acertos, erros, retomadas e questionamentos, numa dinâmica ativa e dialogada que reforçou a atitude protagonista de seus alunos.

Antônio Arnaldo da Silva

História – 1º ao 3º ano / Ensino Médio
Trabalho: Projeto Pedagógico Baobá – Racismo estrutural como consequência da escravidão negra no Brasil
Escola: EREM Cardeal Dom Jaime Câmara
Moreno, PE

O projeto pedagógico idealizado pelo professor Antônio debate e fortalece o enfrentamento ao racismo e à intolerância dentro e fora dos muros da escola, melhorando as relações interpessoais e a autoestima de estudantes negros. Desde setembro de 2021, o evento final do Projeto Baobá faz parte do calendário oficial da cidade de Moreno – proposta aprovada por unanimidade na câmara municipal. Esse fato mostra sua relevância, que vem crescendo desde a primeira edição, em 2017. O destaque fica para o protagonismo dos estudantes. Durante alguns meses, eles formam grupos para preparar exposições, produções literárias, apresentações de teatro e música, oficinas, salas temáticas, debates, palestras e rodas de conversas que contam com professores, artistas, intelectuais e outros profissionais convidados a participar da semana, em novembro. Os saberes das famílias e da comunidade são valorizados nas atividades e as questões raciais e de identidade ultrapassam estereótipos, fazendo com que alunos e alunas se reconheçam como sujeitos históricos e potentes.

Arlete Aparecida Ferreira

Matemática – 9º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: Matemática e Realidade – Estudo de fenômenos
Escola: EE Alzira Ayres Pereira
Catas Altas, MG

Como funciona a matemática do “achatamento da curva” do coronavírus. Veja a evolução do número de casos em cada estado. O aumento de preços do álcool gel e das máscaras na pandemia. Estes títulos encabeçaram páginas de cadernos escolares com cálculos, fórmulas, explicações, tabelas e gráficos estudados pela turma de Arlete. Preocupada com o envolvimento dos estudantes, a professora organizou atividades de pesquisa em grupos, debates e reflexões sobre situações vividas pela comunidade, como a epidemia de Covid-19 e as fortes chuvas na região no início do ano. Durante o período de aulas remotas, apesar das dificuldades de conexão e de acesso de vários alunos, ela conseguiu manter o trabalho coletivo e investigativo, usando recursos como o Whatsapp para se comunicar com a turma. Em mensagens registradas no Padlet, espécie de mural digital, os estudantes apontaram várias utilidades da matemática na pandemia, reconhecendo que ela ajuda a compreender os fenômenos e a orientar a tomada de decisões do poder público e da população.

Carlos José de Souza Júnior

Matemática – 2º ano / Ensino Médio
Trabalho: Meu álbum de Matemática
Escola: EREM Ipojuca
Ipojuca, PE

Um dos aspectos mais importantes para o trabalho de Geometria são as relações entre o estudo da geometria plana e o da espacial. Pode-se observar construções reais a partir de diferentes pontos de vista: o de cima, que remete à projeção no plano bidimensional, e em perspectiva, que leva à geometria espacial e ao estudo de sólidos geométricos. A turma de Carlos analisou construções locais, como o Porto de Suape e a vila do Estaleiro, e obras famosas, a exemplo do MASP, de Lina Bo Bardi, vários prédios de Oscar Niemeyer e até as pirâmides do Egito. Quando os estudantes desenvolveram a visualização geométrica, o caminho para  o uso de fórmulas e teoremas ficou mais evidente e significativo. Os conceitos e a aplicabilidade de razão e proporção ganharam sentido nos cálculos realizados a partir das imagens arquitetônicas. Ferramentas como Autocad, Google Earth, Google Maps, mesa digital, projetor, fotografias impressas, esquadros e régua foram coordenadas para auxiliar as atividades em torno do tema, que interessou aos jovens e aumentou o envolvimento nas aulas.

Carolina de Paula Mascarenhas Takeda

Crianças pequenas – 4 e 5 anos / Educação Infantil
Trabalho: De fora para dentro… de dentro para fora
Escola: EMEI João Evangelista de Oliveira
Barueri, SP

“Um graveto não é só mais um graveto na rua”. A observação da mãe de uma criança da turma de Carolina revela descobertas: a natureza pode proporcionar material para o brincar livre e criativo e uma infância rica em experiências lúdicas custa muito pouco. A professora garantiu o resgate de brincadeiras da cultura brasileira e, ao planejar suas propostas, cuidou para que pudessem ser realizadas com o que as famílias tinham em casa. Preocupada com o distanciamento social, organizou um kit entregue junto com a cesta-básica, oferecendo materiais com os quais pretendia construir brinquedos nos encontros mensais via Google Meet. Assim, as crianças puderam criá-los, desenvolver enredos de brincadeiras e interagir de forma prazerosa com seus familiares. O vínculo de confiança e capacidade de comunicação de Carolina com os pais colaborou para que se mobilizassem para as atividades. As crianças se divertiram e aprenderam ao mesmo tempo em que se fortaleceram as relações entre escola e família, pais e filhos e a professora e seus alunos.

Cintia da Silva Pinto de Carvalho

Gestora – Coordenadora Pedagógica / Educação Infantil
Trabalho: Bonecos: O brinquedo como ferramenta de combate ao racismo
Escola: CEI Professor José Ozi
São Paulo, SP

Como as crianças podem se sentir valorizadas se não se reconhecem nos bonecos e bonecas oferecidos na creche? A promoção da cultura antirracista desde a educação infantil se torna ainda mais importante quando a escola atende crianças de comunidades vulneráveis, em sua maioria negras. As ações de formação propostas por Cintia não se restringiram à teoria sobre o racismo estrutural, envolveram as professoras na confecção de bonecos representando várias raças, etnias, gêneros e faixas etárias, a fim de mostrar a diversidade aos pequenos. Produzir bonecos negros e indígenas exigiu estudos e dedicação, mas foi a solução diante da escassa oferta de brinquedos desse tipo. No processo, as profissionais passaram a reconhecer, em ações e atitudes, aspectos racistas que antes nem percebiam. A formação se desdobrou em novas temáticas para atividades e ambientação dos espaços e provocou uma revisão do PPP da escola. O impacto para as crianças negras foi muito positivo, pois relacionaram os bonecos a seus pais, irmãs, avós ou pessoas queridas, com muito carinho e alegria.

Cíntia Lopes Rodrigues

Geografia – 7º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: Brasil: Viajando a bordo da criatividade e da tecnologia
Escola: Colégio Mater Dei
São José dos Campos, SP

Uma viagem virtual por um projeto da turma de Cintia no Google Earth leva ao Jardim Botânico e ao Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, à Estação da Luz, em São Paulo, e até ao célebre Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Maquetes confeccionadas com materiais que os alunos tinham em casa, fotografadas e inseridas no ambiente virtual, ou elaboradas digitalmente, com recursos como os do jogo Minecraft, revelam como as aulas de Geografia podem estimular a curiosidade e o compartilhamento de estudos regionais sobre o Brasil. Usando metodologias ativas em aulas síncronas, Cintia conseguiu manter o protagonismo da turma optando pelo tema turismo, que permite desenvolver, na cartografia, as noções de projeção, proporção e métricas espaciais e abordar o patrimônio arquitetônico e sua ambiência geográfica. Durante a condução do trabalho, a professora  fez um cuidadoso planejamento de  mediação no ambiente digital e acompanhou de perto os diversos tempos e ritmos dos seus alunos na aplicação das multilinguagens.

Cristiele Borges dos Santos

Crianças bem pequenas – 2 a 3 anos / Educação Infantil
Trabalho: A voz das crianças: conexões que aproximam
Escola: EMEI Joaninha
Novo Hamburgo, RS

Quem lida diariamente com crianças pequenas sabe que desenvolver um bom trabalho inteiramente à distância, durante a pandemia, foi um desafio enorme. Mas a professora Cristiele conseguiu uma comunicação que fez sentido e foi respeitosa com a faixa etária de 2 anos. De março de 2020 até janeiro de 2021, sua turma acompanhou o crescimento da batata doce, o que possibilitou integrar conhecimento científico, cuidado com as plantas e registros, em especial o desenho. Como a maioria das famílias só tinha o celular, as conversas e atividades aconteciam de forma individual, em duplas ou trios. O WhatsApp permitiu divulgar imagens e áudios, revelando que a linguagem oral das crianças deu um salto no período. O projeto destaca as especificidades da Educação Infantil, que envolve compreender como as crianças pensam, constroem conhecimento e se comunicam. Além disso, é um lindo exemplo de como os adultos – professora/es, gestoras e famílias – podem preparar um entorno delicado e cuidadoso para que elas aprendam.

Cristina Marin Ribeiro Gonçalves

Geografia – 7º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: Documentário sobre direitos humanos
Escola: Colégio Monteiro Lobato
Porto Alegre, RS

Com sensibilidade, competência e sem estereótipos, a professora Cristina desenvolveu um tema difícil e urgente na escola: os direitos humanos. Atuando no sistema híbrido e presencial em uma instituição particular na capital gaúcha, ela articulou o interesse dos alunos e a linguagem de vídeo, que eles já tinham experimentado, para orientar a criação de documentários. Estudar a Geografia do ponto de vista humanista, abordando o genocídio indígena, a escravização de indígenas e negros e a proibição de manifestações culturais e religiosas em prol do cristianismo descortinou o olhar crítico dos estudantes, que compreenderam a origem do racismo estrutural. Além de pesquisar sobre a história dos direitos humanos, a turma realizou entrevistas com professores e funcionários do colégio, investigando diferentes óticas sobre a temática. A realização dos documentários, em que cada um se engajou de acordo com seu talento e habilidade, fez os adolescentes reconhecerem situações que negam o que deveria ser básico para todos os seres.

Daniela Cardoso da Silva

Gestora – Coordenadora Pedagógica /  Ensino Fundamental (EJA)
Trabalho: Manual de Sobrevivência da EPA – Escola Porto Alegre
Escola: EMEF Porto Alegre 
Porto Alegre, RS

A escola onde Daniela atua, uma das poucas no país dedicada às pessoas em situação de rua, é um espaço de acolhimento e aprendizagem que vai além do currículo convencional. O trabalho pedagógico se concretiza em ações de cidadania, valorização das experiências de vida dos estudantes, incentivo à expressão oral e escrita e à leitura, além de conteúdos de relevância para eles, como cuidados com a saúde física e mental. O clipe da música “Manual de Sobrevivência”, de Bruno Amaral, foi o ponto de partida para um projeto interdisciplinar construído por educadores, estudantes e colaboradores externos. Depois do clip, o texto “Manual de Sobrevivência do Fábio”, escrito por um dos alunos, viralizou nas redes sociais e em seguida aconteceram muitas ações importantes, algumas previstas e outras não. O livro “A Filha do Dilúvio”, de Miguel da Costa Franco, inspirou propostas de leitura e escrita, conversa com o autor, fotografia, teatro, oficina de cinema, produção de textos autobiográficos e de um memorial da rua, motivando registros em vídeos e em um livro elaborado por alunos e professores.

Daniela Carla do Nascimento Leocádio Valadão

Crianças pequenas – 4 e 5 anos / Educação Infantil
Trabalho: Mandalas de chão – A natureza é o meu brinquedo
Escola: EMEI Padre José Rubens Franco Bonafé
São José dos Campos, SP

Após o retorno presencial, a professora Daniela percebeu que a exposição a telas e celulares tinha imperado no isolamento e convidou as crianças a interagirem com elementos naturais para compor mandalas de chão, brinquedos e brincadeiras. Embaladas por músicas com sons da natureza, elas escolhiam conchinhas, pedras de vários tipos, cores e tamanhos, pinhas, folhas, sementes, penas – tudo estimulava a criação livre e o protagonismo. Daniela deu tempo e espaço para as crianças explorarem os materiais e se expressarem, o que permitiu olhar para seus jeitos de ser, de conhecer, de se relacionar. A própria interação entre elas e os colegas se enriqueceu. A proposta foi pensada de forma inclusiva, tanto que todas  as crianças – com e sem deficiência – participaram das atividades sem necessidade de adaptações.

Djenane Vieira dos Santos Silva

Arte – EJA / Anos Finais do EF
Trabalho: O Corpo Político
Escola: CMEJA Professor Doutor André Franco Motoro
Jundiaí, SP

Performance é arte e posicionamento político, demanda estudo, processo de criação e intencionalidade. O trabalho da professora Nany permitiu aos alunos da EJA vivenciar a performance fazendo uso do corpo como instrumento da arte, rompendo com tabus e preconceitos relacionados a gênero, classe, raça, opressões, desigualdades e padrões de beleza. Para alimentar o repertório da turma sobre o sentido da arte contemporânea, a docente convidou para conversas virtuais artistas que retratam o corpo e suas simbologias: o escultor Flávio Cerqueira, a multiartista indígena Márcia Kambeba e o performer Rodrigo Severo. Outras atuações relevantes na área, como as de Marina Abramovicz e Renata Felinto, foram organizadas em um site pela professora. Assim, todo o material das aulas podia ser consultado pelos jovens e adultos no horário mais conveniente para eles. No trabalho final do curso, apoiado na música O pulso, dos Titãs, todos participaram, inclusive um aluno com deficiências múltiplas, que aprendeu no processo e se expressou com desenvoltura na videoperformance.

Emanuel Alves Leite

Arte – 2º ano / Ensino Médio
Trabalho: Pandemia de Arte
Escola: Instituto Federal do Rio Grande do Norte
Pau dos Fundos, RN

Como apresentar uma atuação cênica em meio ao isolamento? Como trabalhar e interagir com conteúdos que demandam presença física? O caminho do professor e ator Emanuel foi inventar, junto com seus alunos, uma nova modalidade de arte: as “Cênicas Virtuais”, um processo criativo dialogado entre artes cênicas e audiovisuais. Os encontros remotos e a criação colaborativa fizeram os participantes compreenderem na teoria e na prática o que constitui uma cena (cenografia, figurino, música, maquiagem, atuação) e também aperfeiçoar formas virtuais de se comunicar com o público. A realidade dos estudantes, seus  sentimentos, dores e posturas frente à pandemia podem ser vistas em suas produções cênicas, gravadas em audiovisual. A fragilidade emocional de todos deu margem para entrelaçar arte e saúde mental, pois o fazer e a expressão artística têm potencial de cura. Para alargar o repertório sobre o tema, os alunos assistiram ao filme O Coração da Loucura, sobre a psiquiatra Nise da Silveira, e ao documentário Hotel da loucura, que mostra o projeto do ator e médico Vitor Pordeus.

Fellipe Albano Melo do Nascimento

Ciências da Natureza – 8º a 9ºano / Anos Finais do EF
Trabalho: Ciências em Movimento
Escola: Escola MOV Educação Integral
Natal, RN

A curiosidade dos estudantes durante as aulas sobre fisiologia humana e citologia motivou o professor Fellipe a criar um Clube da Ciência, projeto no contraturno escolar aberto aos interessados do 8º e do 9º ano. O objetivo foi incentivar os alunos a responderem suas questões problema e possibilitar uma experiência de iniciação científica. Assim, ele apresentou à turma as características de um projeto científico e os conceitos de hipótese e metodologia. Divididos em trios, os adolescentes se dedicaram a duas investigações, que resultaram em artigos escritos de forma colaborativa: “As diferenças morfológicas de células animais e vegetais” e “A relação entre circunferência abdominal e a pressão arterial, frequência cardíaca”. Para a coleta de dados deste último tema, contaram com o auxílio do professor de Educação Física. Já a professora de Matemática ajudou os integrantes do clube na tabulação e análise de dados. Com base nos artigos, eles produziram um pôster científico para a feira de Ciências da escola e se revezaram na apresentação oral para os visitantes.

Flavia Cotomacci

Língua Estrangeira – 3º ano / Anos Iniciais do EF
Trabalho: The mysterious life of plants
Escola: Colégio Internacional Ítalo Brasileiro
São Paulo, SP

A professora Flavia sabe da potência da motivação para aprender e por isso fica atenta ao que interessa aos alunos para criar um ambiente de imersão na língua inglesa. Quando eles decidiram saber mais sobre a vida das plantas, iniciaram-se quatro meses repletos de pesquisas individuais e coletivas, leitura conjunta e compartilhada, apreciação de obras de arte, criação de cerâmicas e observação de plantas. Os assuntos estudados alimentavam o site criado por Flavia e pela turma com produções escritas e audiovisuais sobre os mais variados aspectos das Plants. Como se tratava de um 3º ano, muitos dos textos publicados foram construídos coletivamente, tendo a professora como escriba. O trabalho entrelaçou língua estrangeira com as áreas de Ciências, Artes e tecnologia educacional, usando recursos como o Google Earth, jogos, aplicativo de criação de cerâmica, visitas virtuais a museus, Youtube e plataforma de leitura digital. Sem obedecer a uma ordem predeterminada, a professora se deixou guiar pela curiosidade das crianças para sugerir atividades e apresentar novos conteúdos em inglês.

Francilda Fonseca Machado

História – 6º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: Meu quintal meu campo de pesquisa 
Escola: Escola Municipal Santa Bárbara
São Bento, MA

Como os alunos de Francilda moram em comunidades quilombolas, sem acesso à internet, ela organizou roteiros dialogados, explicando conteúdos e propondo atividades de produção, pesquisa e vivências para serem cumpridas no quintal de casa. Nos meses seguintes, o estudo aconteceu em ritmo de descoberta e aventura. Após leituras sobre sítios arqueológicos, por exemplo, a professora orientou a escavação de vestígios de antigos habitantes. Os alunos demarcaram uma área, improvisaram pincéis e encontraram pedaços de porcelana, restos de sandálias, raízes e rochas. O material chegava à escola trazido pelos pais, que levavam de volta novos roteiros e instruções para os estudantes. Em outro momento, para celebrar o domínio do fogo no período Paleolítico, fizeram uma fogueira com ajuda dos adultos e sentaram-se em volta dela para contar histórias, o que gerou relatos escritos encantadores, coletados por Francilda. De volta às aulas presenciais, a turma simulou a escrita dos sumérios com barro e um objeto pontiagudo e escreveu mensagens codificadas com os símbolos do alfabeto fenício.

Francine Branco Takamoto

Química – 2º ano / Ensino Médio
Trabalho: Dureza da água de Feliz (RS): remoção de carbonatos precipitados em superfícies de utensílios caseiros
Escola: Colégio Estadual Professor Jacob Milton Bennemann
Feliz, RS

A professora Francine levou sua turma a compreender um tema importante dentro do conhecimento químico – as funções inorgânicas – por meio de experimentação simples e contextualizada. O ponto de partida foi um problema local: a água do município de Feliz é muito dura (tem alta concentração de carbonatos), gerando uma camada esbranquiçada que se deposita sobre utensílios como panelas e talheres. Os estudantes e seus familiares conhecem métodos caseiros mais ou menos eficientes para a removê-la. A partir disso foram colocadas questões: O que há em comum entre os reagentes caseiros que funcionam? Quais os princípios químicos que explicam a eficiência de alguns produtos e a ineficiência de outros? Os alunos pesquisaram em casa, trouxeram itens de cozinha com precipitação incrustada e testaram os reagentes sugeridos para a remoção. Observando os resultados, sob mediação da professora, caracterizaram o grupo dos ácidos por meio da reação entre eles e os carbonatos e perceberam a utilidade do saber científico na vida prática.

Francislene Naves

Língua Portuguesa – 8º e 9º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: Fala, Galhardo!
Escola: EE Professor Luiz Galhardo
Campinas, SP

Motivar adolescentes aos estudos e estimular o trabalho em grupo e a cooperação num momento em que a tendência era o isolamento. Esses foram alguns dos méritos da professora Fran, que conduziu a eletiva Fala, Galhardo! inteiramente à distância. Com muita autoria, seus alunos elaboraram podcasts sobre temas como música, jogos, animes, séries e filmes, partilhando interesses de forma criativa nas redes sociais da escola. Organizar o conteúdo em áudio exercita muitas dimensões da língua portuguesa, como a expressão oral, a escrita de roteiros e o multiletramento (ao editar o material gravado e inserir trilhas sonoras, por exemplo). Durante a criação e produção dos podcasts, todos com narrativas bem construídas, a turma contou com o apoio de estagiárias da residência pedagógica da Unicamp, uma parceria entre universidade e escola pública. Ao final das gravações, alguns estudantes gostaram tanto da experiência que entregaram trabalhos para outros professores também no formato podcast.

Helder Guastti da Silva

Língua Portuguesa – 5º ano / Anos Iniciais do EF
Trabalho: Projeto “Entre Neves”
Escola: EMEF Pedro Nolasco
João Neiva, ES

Encontros ‘confabulatórios’. Foi assim que o professor Helder chamou as reuniões virtuais com seus alunos para explorar leituras compartilhadas. Ao longo do primeiro trimestre de 2021, elas proporcionaram uma imersão nas obras do escritor e ilustrador brasileiro André Neves, que compõe narrativas a partir de temas cotidianos. Levar literatura para as crianças após quase um ano de isolamento trouxe uma leveza necessária, um olhar sobre o belo e o poético nas coisas simples. O 5º ano teve a oportunidade discutir sobre os livros, focar na seleção das palavras e expressões usadas pelo autor, comparar as obras, apreender o significado das imagens e do texto, observar a composição dos personagens. Helder apostou no potencial leitor da turma e mostrou que apreciar a literatura não se resume a “ler livros”. Suas potentes mediações permitiram que, a cada virada de página, ilustração e nuance textual, os alunos avançassem em suas colocações. Para coroar o trabalho, a sequência se encerrou com uma conversa das crianças e do professor com o autor André Neves.

Janete Emília Dourado Santos

Matemática – 5º ano / Anos Iniciais do EF 
Trabalho:  O Pulo do Gato
Escola: Educandário Anísio de Souza Marques
Iraquara, BA

Não deixar ninguém para trás e ainda promover a aprendizagem! Diante das agruras da pandemia, entre elas a falta ou a precariedade do acesso à internet, Janete e os demais professores montaram um esquema para entregar blocos de atividades nas casas dos alunos quinzenalmente. Ao analisar os materiais recolhidos nas quinze comunidades atendidas pela escola, a professora observava os conteúdos de matemática que se mostravam mais difíceis para as crianças e tratava deles nos próximos blocos. As diversas estratégias de resolução e também os erros cometidos foram incluídos em atividades para análise e reflexão. Desse modo, ainda que os estudantes não tenham se encontrado, pois não houve aulas síncronas, tiveram possibilidade de interagir com diferentes soluções elaboradas pelos colegas. Para garantir o aprendizado, Janete tirava dúvidas por chamadas de áudio e vídeo. O esforço e o investimento de tempo valeram a pena, já que a turma superou as expectativas e avançou muito nas estratégias de resolução de problemas.

Janete Rodrigues Cardone

Língua Portuguesa – 1º ano / Anos Iniciais do EF
Trabalho: Produção de legendas
Escola: Centro Educacional Sigma
Brasília, DF

Oferecer situações para que as crianças expressem tudo o que sabem é uma missão para essa professora alfabetizadora. Janete fez um projeto de produção de texto com foco na revisão, explorando o conhecimento que elas desenvolvem durante esse processo. Primeiro, pediu que cada criança selecionasse fotos de habilidades conquistadas durante o isolamento como lavar louças, arrumar a cama, fazer receitas culinárias, tocar um instrumento… e depois decidisse para qual delas elaborar uma legenda. O propósito comunicativo foi montar um mural virtual com fotos e legendas para os familiares. Para isso, a professora repertoriou os alunos com a leitura e exploração de legendas de jornais, revistas, livros, sites e álbuns de família. Logo eles reconheceram as particularidades do gênero e fizeram uma escrita colaborativa. Também realizaram produções individuais tendo a professora como escriba e trocaram saberes durante a revisão coletiva. Graças a uma sequência didática exemplar, as crianças deram passos significativos para se tornarem escritoras proficientes.

Janice Marcon

Atendimento Educacional Especializado / Ensino Fundamental
Trabalho: As pontes
Escola: EMEB Alberto Bauer
Jaraguá do Sul, SC

Jaraguá do Sul é uma cidade rodeada por rios e, claro, por pontes. Quando um menino, recém-chegado à região, perguntou “Quantas pontes tem aqui?”, a professora Janice teve a ideia de transformar a questão em projeto. O polo de AEE onde ela atua, atende, em média, 38 alunos. Com cada uma das crianças combinou uma meta diferenciada e, em sala de aula, apresentou conteúdos que se relacionavam com as pontes, sempre adequados às possibilidades e às atividades que ocorriam em suas classes. Todas presenciais, as atividades foram realizadas com materiais disponíveis na sala de recursos, pesquisas na internet e apreciação de fotos antigas e atuais de pontes locais e no mundo. A temática permitiu trabalhar saberes de componentes curriculares como Matemática, Geografia, História e Línguas. Em tempos de protocolos sanitários, Janice conseguiu a colaboração das famílias, que levaram suas crianças para visitar as pontes. Foi uma ótima oportunidade de valorizar o direito de todos de aprender e de conhecer sua comunidade, seu patrimônio, sua cultura e sua história.

Jaqueline Maria Alexandre Weiler

Crianças pequenas – 4 e 5 anos / Educação Infantil
Trabalho: A pesquisa como prática educativa: aprendendo a aprender com os quero-queros
Escola: Núcleo de Educação Infantil Taquaras
Balneário Camboriú, SC

Crianças pequenas pesquisam, têm hipóteses consistentes e são potentes em suas investigações – se o que observam fizer sentido para elas. A escuta ativa e sensível da professora levou a verificar que a cada dia crescia o interesse da turma pelos quero-queros. As aves faziam barulho no campo de futebol em frente à janela da sala,  despertando a atenção das crianças. Jaqueline então estruturou um projeto de investigação que potencializou as aprendizagens em todos os campos de experiência, com espaço para as práticas de linguagem envolvidas em procedimentos de pesquisa, a observação dos comportamentos dos pássaros e o contato com diversas linguagens artísticas como literatura, teatro de sombras, modelagem, desenho e pintura. Durante o período de ensino remoto, as famílias participaram ativamente, incentivando e oportunizando situações de pesquisa. Suas contribuições foram valorizadas, pois no decorrer do ano a professora aprendeu a usar aplicativos e a criar materiais informativos com fotos e trabalhos das crianças, divulgando para a comunidade o percurso de aprendizagem do grupo.

Jaqueline Rodrigues dos Santos

Língua Estrangeira – 2º ano / Ensino Médio
Trabalho: Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU
Escola: Etesp São Paulo Centro Paula Souza
São Paulo, SP

Jaqueline partiu de um material em língua inglesa sobre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), disponível no site da ONU, para ampliar habilidades dos adolescentes e incentivar sua formação como cidadãos conscientes dos problemas contemporâneos. Reconhecendo que os estudantes têm diferentes níveis de proficiência e conhecimento do idioma, ela investiu em um projeto contextualizado que permitiu a todos se desenvolverem de acordo com seus saberes. A professora incentivou a formação de duplas ou trios e sorteou temas (um ODS por grupo) para que preparassem um seminário. O trabalho aconteceu no formato virtual e envolveu estratégias de leitura, construção e revisão de um PPT e organização da parte oral. Jaqueline se reuniu com os grupos separadamente para dar feedback, encaminhar correções e fazer comentários. No processo, as quatro habilidades linguísticas – speaking listening, reading and writing – foram mobilizadas de modo orgânico e coerente para apresentar as atitudes necessárias diante dos desafios do mundo atual.

Jéssica Joelma Jeremias

Crianças bem pequenas – 2 a 3 anos / Educação Infantil
Trabalho: O descortinar dos bebês sobre o mundo – Experiências desterritorializadas no contexto de pandemia
Creche: CMEI Professora Clarice Rocha da Rosa
Curitiba, PR

Nos kits que os pais da turma de Jéssica buscavam no berçário durante o período de isolamento, objetos simples seguiam acompanhados por sugestões de brincadeiras, explicadas em vídeos personalizados pela professora. Numa delas, a criança precisava achar uma bolinha, escondida pelo adulto sob copinhos de plástico. Mas cada bebê fez suas experiências: rolar a bolinha pelo chão e caçá-la de volta com copo; derrubar e levantar os copinhos; brincar sozinho de esconder pequenos objetos. Observando as ações dos pequenos por meio de fotos, vídeos ou áudios enviados pelos responsáveis, a professora organizava mini-histórias, portfólios individuais e a documentação pedagógica da turma. Jéssica buscou conhecer cada família e incentivou a transformação dos espaços da casa. Assim as crianças puderam construir cabanas e utilizar utensílios de cozinha como brinquedos, por exemplo. A professora também investiu em histórias divertidas que chamavam a atenção da turma. O intenso compartilhamento de saberes trouxe uma sensação de continuidade da escola, mesmo diante da situação difícil vivida por todos.

João Paulo Pereira de Araújo

Gestor – Diretor /  Ensino Fundamental e Médio
Trabalho: Escola fechada, Educação em movimento!
Escola: EE Doutor Pompílio Guimarães
Leopoldina, MG

João Paulo foi aluno, professor e, desde 2019, dirige essa escola que atende 160 estudantes da zona rural. Em poucos meses, motivou professores e funcionários, organizou manutenções na estrutura e incentivou a participação na Prova Brasil/Saeb, tanto que a unidade obteve o Ideb pela primeira vez. O direito à aprendizagem é garantido, levando os egressos a seguirem os estudos em instituições de renome, como o Instituto Federal. O fortalecimento do vínculo dos alunos com a escola e a articulação com os pais foram os eixos centrais do projeto realizado durante a pandemia. As visitas de gestores e professores para entregar materiais impressos nas casas das famílias ajudaram a entender melhor a realidade de cada um. Os professores contaram com acompanhamento e apoio por causa da pouca familiaridade com a tecnologia e prepararam kits para estudo remoto considerando os diferentes percursos de aprendizagem dos alunos. Estratégias de acolhimento permitiram a cada estudante expressar seus sentimentos em um diário e em retalhos de tecido, auxiliando a todos na superação de tempos difíceis.

José Carlos Nasr

Geografia – 9º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: Museu Virtual Marista
Escola: Colégio Marista Ipanema
Porto Alegre, RS

A Segunda Guerra Mundial já aguçava a curiosidade da turma e o professor José Carlosdeu corda” para o assunto, valorizando a autonomia dos alunos nas atividades de pesquisa. Uma parceria interessante da Geografia com a História, em trabalho conjunto com a professora Vitoria Almeida Machado, garantiu vínculos de estudos, trocas de conhecimentos e a ampliação do repertório dos estudantes. O objetivo foi a construção coletiva de um acervo digital sobre múltiplos aspectos do evento geopolítico que marcou o século XX. Os adolescentes criaram um site com abas temáticas, como uma sobre os grupos perseguidos pelos nazistas – os ciganos Sinti e Rom, os comunistas e os homossexuais – com textos e imagens sobre o que acontecia na época e links para curiosidades e reportagens mais atuais. Os materiais editados no museu virtual mostram como a turma desenvolveu o senso crítico, identificou e comparou as intervenções humanas ocorridas nos espaços, as transformações sociais e culturais que a guerra produziu e seus reflexos até hoje.

Joyce Moura José Pin

Educação Física – 3º ano / Anos Iniciais do EF
Trabalho: Em tempos de pandemia… Acrobática com a família!
Escola: Colégio Termomecânica
São Bernardo do Campo, SP

A pandemia trouxe inúmeros desafios e sobrecargas para os professores. Nas aulas de Educação Física, predominantemente interativas e corporais, as telas causaram desespero. A professora Joyce, no entanto, sabia onde queria chegar e os ajustes necessários para as aulas online, com domínio do planejamento, do conteúdo e de recursos de tecnologia (Teams, Padlet, apostilas digitais). Mesmo escolhendo um tema específico – a ginástica acrobática –, ela criou propostas significativas, contextualizadas e motivadoras. A modalidade amplia as experiências corporais e culturais, não exige equipamentos ou espaços amplos (o que poderia restringir as famílias) e possibilita o estreitamento social e afetivo. Realizar os movimentos conectou as crianças com irmãos, primos, pais e mães, que se desviaram de seus problemas para, com cuidado e atenção, ajudar a executá-los com segurança. Como a atividade é coletiva, os alunos adaptaram as figuras acrobáticas às potencialidades e limitações físicas de seus familiares e foram avaliados em sua evolução individual.

Jussara Ribeiro Lukachinski

Crianças pequenas – 4 e 5 anos / Educação Infantil
Trabalho: Árvore: plantar, cuidar e amar
Escola: EMEIEF Chapeuzinho Vermelho
Ariquemes, RO

“A árvore é um ser vivo porque ela tem um pé e as folhas são seus cabelos”; “As árvores comem terra e por isso elas são grandes”, “É a casa dos passarinhos”. Essas falas das crianças do Pré I B, da professora Jussara, aconteceram depois que elas observaram com atenção uma ou mais árvores na companhia de um adulto. A professora potencializou a oralidade, a curiosidade sobre o tema, despertou o interesse pela vegetação existente na escola, nas residências dos alunos e em seu entorno e pediu que desenhassem suas descobertas. Ampliou os saberes da turma trazendo fontes especialistas, que responderam às suas dúvidas oralmente. Ações como essas têm o potencial de mostrar às famílias que é possível abordar uma temática aparentemente complexa com crianças pequenas. A maioria dos encontros foi virtual, mas o projeto incluiu uma aula prática sobre o plantio de árvores e terminou com uma campanha que mobilizou a comunidade escolar na distribuição de mudas de árvores frutíferas para a população.

Linaldo Luiz de Oliveira

Ciências da Natureza – 9º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: Um ensaio Biocultural
Escola: EMEF Iraci Rodrigues de Farias Melo
Mogeiro, PB

Para dinamizar as aulas de Ciências, o professor Linaldo colocou a turma para investigar o conhecimento ecológico dos residentes no município, situado no agreste paraibano. As entrevistas, realizadas de modo remoto com integrantes das famílias, geraram informações sobre as espécies de animais silvestres que eles costumam caçar,  seus usos para alimentação e medicamentos e em “causos” do folclore da região. Para promover a divulgação científica das descobertas, os alunos criaram “Pokemons” com base nos animais citados pelos caçadores. Cada um dos seres imaginados, ilustrado por um desenho artístico, recebeu uma ficha técnica com informações ecológicas e bioculturais da espécie que o inspirou. O material foi divulgado pelas redes sociais e integrou um e-book. Para ampliar ainda mais os saberes dos estudantes, o professor convidou um acadêmico de referência da área de zoologia cultural para debater sobre as relações entre as pessoas e a natureza ao seu redor.

Lucia Maria Dalbello

Atendimento Educacional Especializado / Ensino Fundamental
Trabalho:  Conhecendo o mundo pelo tato
Escola: EM DR. José Maria Rollemberg Sampaio
São José do Rio Preto, SP

Uma menina coloca as mãos entre as grades da janela para sentir as gotas da chuva. Além de sorrir, faz o sinal da água na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). A cena parece simples, mas revela parte do percurso de aprendizagem de Isis. Ela tem surdo-cegueira, perda substancial da visão e total da audição, o que dificulta a conquista de metas educacionais, vocacionais, sociais e de lazer. Responsável pelo AEE, Lucia fez parcerias com a professora de sala de aula e com a família, e pôs-se a conhecer a criança para descobrir a melhor forma de lidar com ela e ensiná-la. Planejou atividades para desenvolver sua coordenação motora e os sentidos remanescentes. Em casa, Isis pode brincar com massinha comestível e com caixa tátil, jogar memória sensorial, encontrar objetos na gelatina, manusear gelo e senti-lo derreter e trilhar caminhos sobre diferentes texturas, oportunidades proporcionadas pela mãe. Experimentando diferentes sensações, a menina foi obtendo avanços para voltar à escola presencial, se comunicar e se relacionar com os colegas e o ambiente.

Luciana Domingues Ramos

Geografia – 2º ano / Anos Iniciais do EF
Trabalho: Se essa rua fosse minha
Escola: EMEF Professor João Carlos von Hohendorff
São Leopoldo, RS

A professora Luciana precisou reatar os vínculos com seus alunos depois de mais de meio ano em que a escola ficou sem atividades. Para o ensino remoto, teve a sensível ideia de pedir a cada uma das crianças para observar a paisagem urbana da “moldura” da janela de casa. Apoiada nas temáticas de Geografia e Linguagens, ela incentivou ações de pesquisa sobre as ruas da cidade de São Leopoldo, particularmente características (pavimentação, calçadas, iluminação de rua, arborização etc.) e vivências do entorno da escola e das residências. Usou ferramentas adequadas para isso como Google Earth, GoogleForms, WhatsApp e vídeos. Suas propostas articularam o material didático, a temática geográfica e o foco no ensino por investigação, o que incluiu o levantamento de dados empíricos das ruas do bairro. Consciente de que precisava fazer a turma avançar no processo de alfabetização,  Luciana colocou-os em contato com a leitura, a escrita e a comunicação de maneiras diversificadas, colaborativas e com engajamento para se localizar, reconhecer e refletir sobre sua realidade e seu lugar no mundo.

Luciene Ferreira

Biologia – 1º ano / Ensino Médio
Trabalho: VacinaFlix
Escola: Instituto Educacional Sul Maranhense – COC Imperatriz
Imperatriz, MA

Na atualidade, os movimentos antivacina são tão perigosos quanto os vírus, pois ameaçam reverter o progresso alcançado no combate a doenças evitáveis por vacinação. Com essa ameaça em mente, a professora Luciene colocou a Biologia a serviço do desenvolvimento de habilidades que costumam ser trabalhadas nas aulas de Língua Portuguesa. Em encontros semanais online, ela engajou sua turma a analisar criticamente a divulgação de fake news, colaborando com sua educação midiática. O percurso envolveu conhecer a história das vacinas, os cientistas destacados na área e buscar e checar informações na internet, além de mergulhar em gêneros textuais contemporâneos – como as charges e os memes. O resultado do Vacinaflix foi a criação de um blog educativo sobre saúde pública no Facebook, onde foram divulgadas as criações dos jovens: memes, vídeos animados em 3D e até uma aventura gamificada, que convidava o público “a viajar por 6 continentes e ajudar cientistas caçadores de mentiras a desvendar mitos sobre vacinas espalhados no mundo cibernético”.

Maraíza de Araújo Ferreira

Língua Portuguesa – 9º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: O diário em tempos de pandemia
Escola: Escola Terra Firme
Curitiba, PR

A professora Maraíza propõe à sua turma a leitura e a produção de diários íntimos. Os jovens começam a ler uma adaptação do Diário de Anne Frank para quadrinhos para depois seguirem ao livro em prosa. Além do sofrimento com a guerra e a perseguição aos judeus, Anne relata as dores do isolamento, que na situação de pandemia também afetaram os alunos em Curitiba. Para aprender características do gênero, eles leem outros diários íntimos e participam de aulas de leitura interativa com a professora, nas quais se cria um espaço para falar de literatura e de questões que a leitura desperta, como as relações dela com suas vidas. Maraíza então convida os estudantes a escreverem o diário íntimo de outra pessoa. Para isso, é preciso se colocar no lugar dela e mergulhar na sua subjetividade, o que desenvolve a empatia e o olhar para o outro. É impossível fazer isso, porém, sem um olhar para si mesmo, suas experiências e sua vivência, o que exercita nos adolescentes o autocuidado e a autorreflexão.

Marcelo Costa Lima

História – 1º ano / Ensino Médio
Trabalho: A minha quebrada tem história!
Escola: Centro de Ensino Cidade Operária 2
São Luís, Maranhão

O professor Marcelo chegou a essa escola durante a pandemia, sem conhecer alunas e alunos e nem colegas professores. Mesmo assim, de forma virtual, conduziu um trabalho envolvente e de qualidade, que se tornou uma disciplina eletiva em 2021. Seus estudantes mergulharam na história recente de São Luís, investigando elementos históricos, da cultura e do cotidiano de alguns dos mais importantes bairros da capital maranhense. Marcelo desafiou a turma a buscar informações, orientou e ofereceu caminhos para a pesquisa indicando boas fontes e acervos possíveis em tempos de isolamento. Os adolescentes puderam olhar para o lugar onde vivem e se expressar com liberdade na série de podcasts “Minha quebrada tem história” #MQTH. A qualidade dos trabalhos mostra que eles ampliaram seus repertórios sobre a cidade, além de valorizarem suas comunidades, fortalecendo a construção de suas identidades territoriais e o sentimento de pertencimento.

Michelle Dallacqua da Silva

Língua Portuguesa – 1º ano / Anos Iniciais do EF
Trabalho: Galeria – animais de estimação
Escola: EMEF Jacyra Vieira Baracho
São José dos Campos,  SP

O gato da Juliana, a tartaruga da Lívia e o cachorro do Benjamim foram grandes aliados da turma de Michelle durante a pandemia. Preocupada com a falta de interesse das crianças de 6 e 7 anos nas aulas remotas, ela propôs organizarem uma galeria digital com fotos e textos sobre seus animais de estimação para ser compartilhada com os colegas e as famílias. Como estavam todos na fase inicial de alfabetização, a professora contou com a parceira dos pais para ajudarem em casa com leituras, organização da rotina de estudos, tirar fotos, fazer vídeos e encaminhar as dúvidas das crianças via WhatsApp. Para coletar os dados sobre variadas espécies, Michelle incentivou e discutiu a leitura de textos informativos e orientou procedimentos de pesquisa. Todos precisaram buscar informações interessantes e as crianças mostraram-se animadas e participativas ao poderem contar sobre seus bichinhos de estimação. Os ganhos de aprendizagem foram muitos, tanto que na sondagem inicial, dos 31 alunos, só 6 estavam plenamente alfabetizados, número que triplicou no final do ano letivo.

Miriam Regina Mundstock Carvalho 

Educação Física – 2º ano / Ensino Médio
Trabalho: Projeto para uma vida ativa
Escola: Escola Técnica Estadual 31 de Janeiro
Campo Bom, RS

Diante do desafio de vencer a barreira do distanciamento nas aulas de Educação Física, a professora Miriam se apropriou de novos recursos para se manter conectada com os estudantes durante a pandemia. Encontros por Meet, videoaulas, vídeos no YouTube, aplicativos e a construção de sites foram algumas das estratégias utilizadas para anunciar um conteúdo de qualidade, que permitiu aos estudantes aprofundar estudos e conhecimentos sobre a conexão do movimento com a saúde e o bem estar. Ao potencializar a ideia de que a educação física contribui para que os jovens desenvolvam saberes relacionados com um projeto de vida ativa, que contempla movimento e atividade física motivante e consciente, a professora colocou os meninos, as meninas e as  famílias para se movimentar. Os planos de vida ativa revelam percursos em que os estudantes selecionaram práticas corporais de acordo com suas preferências – bicicleta ao ar livre, corrida e ioga foram algumas das escolhas –, aprenderam mais sobre elas e desenvolveram atitude autônoma para gerenciar seu próprio programa de atividade física.

Natasha Magno

Língua Portuguesa – 9º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: Escritas de si: memórias pandêmicas
Escola: Sant’Anna International School
Vinhedo, SP

No início de 2021, com o ensino na modalidade híbrida e só parte dos alunos na escola, a professora Natasha resolveu ir na contramão dos trabalhos com mediação tecnológica. Sugeriu aos estudantes uma atividade artesanal: costurar e decorar seus próprios cadernos. Privilegiando a relação entre tecer, costurar e o ato de escrever, criou um contexto para eles escreverem sobre si, em gêneros diversos, voltados à autorreflexão. A inspiração foi a leitura de Becos de memória, de Conceição Evaristo, e a construção do conceito de “escrevivência”, definido pela autora na apresentação da obra. A cada trecho do livro, a professora fazia uma proposta de produção aos alunos e eles foram aos poucos escrevendo suas próprias memórias, à mão mesmo, nos cadernos. Ao longo do processo também liam seus textos para a turma, debatiam, eram vistos e ouvidos. Os adolescentes se engajaram de forma reflexiva no trabalho, cuja última etapa foi a confecção da capa do caderno com uma colagem representando suas identidades.

Neuza Terezinha Gessler

Crianças bem pequenas – 2 a 3 anos / Educação Infantil
Trabalho: Ressignificando a natureza na pandemia
Creche: EMEI Beija Flor
Novo Hamburgo, RS

A confecção de um diário de memórias durante a pandemia foi a maneira que a professora Neuza encontrou de aproximar escola e família. Com fotos e outros registros de experiências familiares, o livro, construído com materiais reciclados, folhas secas, flores desidratadas, fitas, botões e restos de tecidos teve objetivo de estreitar os laços entre as crianças e seus pais ou cuidadores. Passados alguns meses, em que o ensino remoto se tornou híbrido e depois voltou a ser presencial, os ganhos foram aparecendo: as famílias passaram a valorizar a escola e as crianças foram mais escutadas, o que as fez desenvolver sua linguagem oral, registrada em vídeos pela professora. Formada em pedagogia após os 50 anos, Neuza é uma profissional entusiasmada e estudiosa que se tornou referência entre as colegas da creche. De maneira muito apropriada, também escreve mini-histórias – relatos do que acontece na rotina da Educação Infantil – de sua turma.

Patrícia Cristina Lindner

Crianças bem pequenas – 2 a 3 anos / Educação Infantil
Trabalho: A natureza e seus encantos
Escola: Centro de Educação Infantil Elisa Hort
Blumenau, SC

A Natureza não é isolada, e, para estudá-la, as crianças devem ir até ela com respeito e cuidado, para aprender in loco. O CEI onde Patrícia atua tem a vantagem de contar com um entorno bem arborizado, que permite recolher folhas diferentes para uma coleção, observar um formigueiro e pequenos insetos no jardim e vivenciar os espaços de um jeito simples. Houve o momento de apreciar o fogo em volta de uma fogueira no pátio, de escorregar em cascos de palmeira e de passear sob guarda-chuvas em um dia chuvoso. As curiosidades e pesquisas feitas com a turma do lado de fora eram tema para atividades e construções com elementos naturais dentro de sala. De casa, as crianças trouxeram ovos de pata, um ninho de passarinho e até um grilo para serem mostrados aos colegas. A professora organizou rodas de conversa, proporcionou sensações táteis, olfativas, gustativas e auditivas e levou os pequenos a observar e compreender o que a natureza tem a oferecer de forma leve, cheia de interações e brincadeiras.

Paulo Roberto Magalhães

Geografia – 6º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: A escola pulou o muro em vídeos e quadrinhos
Escola: EMEF Duque de Caxias
São Paulo, SP

O conhecido geógrafo Milton Santos costumava dizer que “o mundo está nos lugares”. A  pandemia impediu o professor Paulo de desenvolver suas aulas públicas na rua e nos espaços urbanos do bairro paulistano do Glicério. Mas nem por isso ele deixou de transportar a cidade para o ambiente virtual. Recorreu a um novo suporte: os quadrinhos digitais, uma forma viva de situar a paisagem urbana e ainda valorizar a identidade dos estudantes. As aulas, acessíveis no Tour Creator (Google), guiaram os alunos por ruas e vielas do bairro por meio de uma plataforma virtual. O viaduto do Chá, as enchentes na região central e os parques urbanos foram alguns dos temas abordados no estudo da paisagem e território urbano. Além de produções que valorizam a linguagem espacial, como croquis, mapas mentais, desenhos em perspectiva e maquetes, os estudantes se envolveram na autoria dos quadrinhos digitais, alguns criados a partir de registros fotográficos das aulas presenciais (antes de março de 2020). Dessa forma, mesmo à distância, continuaram ligados à escola e próximos de sua realidade.

Priscila Fabiana Rodrigues Terencio

Gestora – Coordenadora Pedagógica / Anos Finais do EF e Ensino Médio
Trabalho: A história de cada compondo a história de todos
Escola: EE Ângelo Scarabucci
Franca, SP

Passados os primeiros meses da pandemia, a coordenadora pedagógica Priscila resolveu descrever as ações empreendidas na escola no período, dando visibilidade e reunindo as conquistas de sua equipe, pois cada um estava isolado, confinado ao teletrabalho. O relato, apresentado por ela durante uma reunião formativa, fez professoras e professores dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio notarem o quanto tinham realizado bons trabalhos e encorajou-os a produzir documentação sobre eles. Os profissionais perceberam pelo exemplo da coordenadora que a escrita é um meio potente de registro para reflexão, tomada de decisões e troca de saberes docentes. Baseada nas narrativas de experiências de cada um de seus integrantes, uma história da escola foi se compondo. Por fim, uma revista digital, reunindo quase 50 registros de vários atores da comunidade escolar, divulgou as reflexões feitas durante o ano, fortalecendo a escola integral como lugar de aprendizagem e de engajamento coletivo.

Raifran Abidimar de Castro

Geografia – 1º ano / Ensino Médio
Trabalho: Cartografia de direitos: acessibilidade urbana
Escola: Instituto Federal do Maranhão – Campus de Açailândia
Açailândia, MA

Os direitos das pessoas com deficiência podem, sim, ser visualizados em mapas. Usando geotecnologias, como as da ferramenta Google Earth, para observar o centro comercial de Açailândia, os alunos do professor Raifran desenharam e indicaram as condições das calçadas em uma área onde circulam muitos pedestres. Envolvida na atividade, a turma compreendeu a cartografia geral e a temática (no caso, a inclusiva) e reconheceu as barreiras enfrentadas por quem tem mobilidade reduzida. Para explicar sobre coordenadas geográficas, a leitura de imagens de satélite e tirar dúvidas, o professor fez um cuidadoso planejamento com aulas virtuais síncronas. A linguagem visual dos mapas de direitos a acessibilidade ressalta a exclusão espacial e, ao mesmo tempo, permite questionar a organização urbana. Os estudantes produziram esses mapas como autores, revelando informações detalhadas. Ao final do projeto, mostraram domínio de vocabulário específico, refletiram e opinaram sobre as condições das calçadas analisadas e a preocupante falta de acessibilidade na maioria delas.

Rivaldo Bevenuto de Oliveira Neto

Arte – 5º ano / Anos Iniciais do EF
Trabalho: Arte contemporânea e ensino remoto na infância
Escola: Núcleo de Educação da Infância – Colégio de Aplicação/UFRN
Riachuelo, RN

Rivaldo convidou as crianças a experimentarem a arte contemporânea de uma maneira lúdica durante o isolamento social. A ideia era olhar de um jeito diferente para os espaços e objetos do seu cotidiano para organizar composições artísticas e criar instalações. Durante suas aulas no Meets, além das composições, o professor apresentou a modalidade instalação, mostrando obras de Hélio Oiticica, Judy Chicago e Cildo Meireles para a turma. A partir daí, os alunos começaram não só a selecionar objetos por sua forma estética, mas também a modificar ambientes da casa e sua relação com eles. Alguns chamaram a família para participar da arte-instalação, usando o corpo e transformando espaços. Um exemplo foi uma menina que espalhou itens pelo corredor e convidou o irmãozinho a explorá-los de olhos vendados: numa invenção artística e sensorial. As criações dos alunos foram compartilhadas em uma exposição virtual online, onde eles explicaram seus processos criativos. O trabalho mexeu com as relações de pais e filhos no espaço limitado que é a casa, colocando todos em contato com a arte.

Rosalina de Lázaro

Educação Física – 2º a 5º ano / Anos Iniciais do EF
Trabalho: Projeto brincadeiras de quintal
Escola: EE José dos Santos
Aspásia, SP

Um tema comum – os jogos e brincadeiras tradicionais – se desdobrou em um trabalho de educação integral, aliando as dimensões física, intelectual, emocional, social e cultural. A professora, conhecida como Rosinha, acertou na escolha de estratégias, nas formas de participação das crianças e das famílias. Pais, irmãos e avós tiveram oportunidade de ensinar e aprender uns com os outros. Já nas primeiras entrevistas, as pessoas idosas foram valorizadas por suas vivências, histórias de objetos infantis e espaços lúdicos de outros tempos. As gravações estão no blog sobre o projeto, que traz registros de diferentes etapas, desde as propostas presenciais desenvolvidas na escola até vídeos sobre brincadeiras realizadas em casa, produções escritas sobre as preferidas da família, autoavaliações e depoimentos dos alunos. As crianças estiveram sempre no centro do planejamento de Rosinha, que pediu a elas que também buscassem práticas lúdicas de origem indígena e africana, ampliando o repertório de todos que participaram das brincadeiras no quintal.

Rose Hélida Astolfo Freire

Geografia – 7º ano / Anos Finais do EF
Trabalho: Agro.flores.e.tal
Escola: Colégio Estadual Dr. Caetano Munhoz da Rocha EFM
Paranavaí, PR

É possível restaurar florestas em pequena escala? Por que a restauração florestal é necessária? A professora Hélida envolveu os alunos e suas famílias em uma experiência de ativismo ambiental colaborativo. Para ensinar sobre sustentabilidade, implantou um Sistema Agroflorestal Agroecológico (SAFA) em uma área de 260 m² do colégio. O projeto foi desenvolvido em grande parte presencialmente: as famílias doaram insumos, forneceram ferramentas e acompanharam seus filhos durante os cuidados com o canteiro, que virou ambiente para as aulas. Todos conheceram na prática como se faz o cultivo de alimentos e o manejo e controle de erosão do solo para recuperar uma área degradada. Na tentativa de resgatar saberes das comunidades tradicionais e a biodiversidade agrícola, foi criado um banco de sementes crioulas (formas de multiplicação vegetal a partir de grãos, por exemplo). Os estudantes também aprenderam a importância das abelhas. Durante o período de aulas remotas, a turma se aprofundou em fundamentos conceituais e movimentou uma rede social para incentivar adesões ao projeto.

Simone Aparecida Machado

Gestora – Diretora / Ensino Fundamental
Trabalho Gestão para a aprendizagem: dos estudantes e dos educadores
Escola: EMEF Martin Francisco Ribeiro de Andrada
São Paulo, SP

Formação docente e acompanhamento das aprendizagens. O equilíbrio entre essas duas ações foi o trunfo da diretora Simone durante o ano letivo de 2021. E a chave para que acontecesse de fato foi o trabalho coletivo. Mesmo afastados fisicamente, os 80 profissionais da Martin, como é carinhosamente chamada a escola, conseguiam acessar, por meio de um drive pedagógico, todas as informações – sobre o estudante e sua participação, a postagem dos planos de ensino de aulas e de atividades de recuperação e até a evolução das ações de busca ativa – tudo podia ser visualizado por todos em tempo real. O monitoramento próximo da situação das famílias, por WhatsApp, o mapeamento das aprendizagens e das necessidades dos 700 alunos e as estratégias formativas junto aos professores, centradas na análise dos planos de aula e na reflexão sobre a prática, exigiram esforços de todos. Mas o saldo da gestão foi positivo: aulas mais qualificadas, professores mais pesquisadores e estudantes conectados à escola e aprendendo, presencial ou virtualmente.

Susan Carolina Amorim

Ciências – 5º ano / Anos Iniciais do EF
Trabalho: O DNA e o mapeamento genético
Escola: Escola Vera Cruz 
São Paulo, SP

A turma de Susan estudou conceitos científicos complexos sob uma luz investigativa e antirracista. A temática do DNA surgiu em uma conversa que orientou os caminhos para a pesquisa do grupo, entrelaçados a conteúdos curriculares do 5º ano como a formação de proteínas, sua obtenção via alimentação e a distribuição pelo corpo (circulação). O projeto contou com sequências didáticas investigativas, problematizações e formulação de hipóteses, leitura de textos e sistematizações – tudo facilitado por táticas virtuais e presenciais. Um grande recurso foi o padlet, que funcionou como um grande mural online no qual as crianças partilhavam suas hipóteses e discutiam nas aulas coletivas, tendo oportunidade de comprová-las ou refutá-las e assim a investigação avançava. Ao aprenderem sobre o mapeamento genético, os alunos mergulharam na problemática da escravização de africanos e as heranças genéticas na população brasileira, integrando as aulas de Ciências da Natureza às de Ciências Sociais.

Viviane de Barros Pastorelli

Língua Portuguesa – 3º a 5º ano / Anos Iniciais – EJA
Trabalho: O diário de Maria Carolina de Jesus e a oralidade em questão
Escola: CIEJA Profa. Rose Mary Frasson
São Paulo, SP

Professora iniciante na EJA, Viviane conseguiu estruturar, em uma situação de ensino remoto, propostas condizentes com os conteúdos e objetivos de aprendizagem e também com as características do seu grupo de alunos, com idades entre 17 e 65 anos. O trabalho, prioritariamente desenvolvido pelo WhatsApp, conseguiu abarcar todos os integrantes da turma, sem desistências! A oralidade foi um dos focos centrais do projeto, que favoreceu as trocas orais pelo próprio aplicativo e instigou interações entre os estudantes. A professora escolheu ler e discutir partes do livro “Quarto de Despejo”, de Carolina de Jesus. Os trechos selecionados aproximaram os estudantes de seu próprio cotidiano e das questões sociais e econômicas atuais. As principais conquistas foram os avanços da turma na apropriação da escrita alfabética (por meio de atividades de leitura e produção de legendas) e na comunicação efetiva em conversas com professores e colegas. Áudios individuais dos alunos, compondo um conjunto de relatos, revelaram suas vivências e lugares de fala.