Lidiane da Silva Lima

A Vencedora na Mídia

Podcast Educa 10 – Lidiane da Silva Lima – Educadora Nota 10 – 2020
23/10/2020 – Projeto Negros do BixigaEntrevista
13/10/2020 – Conexão Futura #Nem1semprofessor Diálogo com Professores Nota 10
12/10/2020 – Revista Qualé (página 8)“Abrimos espaço para os negros se apropriarem de sua história”
09/10/2020 – Futura – Entrevista: “A maioria dos estudantes não se reconhecia enquanto sujeitos negros”
17/08/2020 – Site Claudia Agora é permitido sonhar
22/07/2020 – Portal Diversa Vencedores do Prêmio Educador Nota 10 valorizam equidade e inclusão
Nova Escola Box – Lidiane usa poesia para resgatar ancestralidade negra

Poesia para falar de identidade

O contato com várias formas de rima e produção poética inspirou os estudantes a valorizarem sua origem negra e a expressarem sua voz na periferia

Foto: Nidiacris Ribeiro / Trupe Filmes

Educadora Nota 10: Lidiane Pereira da Silva Lima
Língua Portuguesa – 6º Ao 9º Ano / Anos Finais do Ensino Fundamental
Escola: EMEF Anna Silveira Pedreira
São Paulo, SP

Projeto: Eu posso ser poeta!
Número de alunos: 26
Duração do trabalho: 1 ano letivo

Resumo: Lidiane mudou o olhar dos jovens dessa escola na periferia paulista para a herança africana e o território que habitam. Depois de abrir discussões sobre um tema, ela lia poemas que permitiam desconstruir o imaginário sobre o continente africano, contavam a história de resistência do povo negro escravizado e falavam da identidade do negro no século XXI. Após cada leitura, os alunos a expressavam de maneiras performáticas, com declamações, danças, reflexões etc. A escolha de repertório, que ia de Solano Trindade ou Castro Alves a um rap dos Racionais MCs, aproximou os alunos da poesia. Lidiane convidou autores de alguns poemas lidos em sala – poetas negros, jovens e periféricos – para compartilhar experiências. Os estudantes se envolveram na preparação do Sarau Heranças Afro, escrevendo e reescrevendo poemas, debatendo traços de estilo dos diversos gêneros poéticos abordados em aula e refletindo sobre a variação linguística e sua conexão com a identidade e as relações de poder. Além de se apresentarem em colégios próximos, publicaram suas produções no livro Eu também posso ser poeta!.

Por que o trabalho foi premiado?
“Lidiane deu sentido para a leitura e a escrita de poesias na escola. Seus alunos, que mostravam baixa autoestima e relutavam em assumir sua cor de pele e a identidade associada a ela, se engajaram de forma genuína nas atividades. A professora organizou sequências didáticas baseadas nas sugeridas por Isabel Solé: abria com discussões sobre um tema explorado num poema, lido na sequência; depois, os alunos expressavam a leitura por meio de performances de vários tipos. Lidiane usa materiais diversos, como esculturas, fotografias, pinturas, para romper com o imaginário de um continente africano sem riqueza cultural e material, contar a histórica da resistência à escravidão e ao racismo, por um ponto de vista afrocentrado. Sua escolha de repertório foi exemplar: de poetas canônicos a periféricos, rappers e slammers. Também soube analisar elementos de estilo, como o punch-line na batalha de rima e a exaustão de rima no RAP, e discutir o papel da língua e da poesia no estabelecimento da identidade negra e periférica.” Rafael Palomino, doutor em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP e professor nos anos finais do Ensino Fundamental, é selecionador do Prêmio Educador Nota 10